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Zahie

Minha bisavó saiu de Beirute - Líbano aos 18 anos, casada e com uma filha de 4 anos, vieram para o Brasil para morar em Curitiba. Nunca mais voltou para sua cidade natal, nunca mais viu sua mãe e seus irmãos.

No Líbano tinham casa nas montanhas, tinham casa na cidade, tinham marcenaria na cidade; estavam bem de vida. Venderam tudo que tinham, fizeram a mudança de navio, compraram loja, terrenos, casa, carro, TV, telefone, tiveram uma vida boa aqui.

Minha bisavó eu conheci, meu bisavô faleceu um ano antes do meu nascimento. Ela contava que quando chegou no Brasil teve um choque de realidade também na moda. No Líbano ela usava a alta costura e aqui nem sutiã existia. Ela conheceu uma costureira que ia até sua casa para fazer suas roupas. Anos mais tarde, passou a fazer suas próprias roupas. Eu me lembro dela usando saias pretas e blusas cinzas feitas de crochê, cabelos branquinhos, sentada na cadeira segurando a barriga enquanto ria, falando palavras em árabe e rindo de mim, rindo com carinho.

Essa era a pessoa mais resiliente que eu conheci, além do meu pai, homem com deficiência que se tornou um excelente médico na cidade de Curitiba onde conheceu minha mãe. Mas, voltando a história da minha bisavó que era a pessoa mais à frente de seu tempo, que dizia que eu estava certa, me habilitando para ter o meu próprio carro e me tornar independente para não depender de ninguém.

Ela me impulsionava para frente, me lançava no tempo, minha inspiração!! "Sempre tive muito orgulho de ser sua bisneta".

Hoje me vejo apreciando a marcenaria como hobby e a minha independência como mulher. Me tornei uma mulher forte que se lembra sempre de suas palavras. Gratidão!


Senhora de preto com cabelos acinzentados

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2 Comments


Que história linda!

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Sinto muita falta dela e de todos os meus avós que não estão mais aqui.

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