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Caos Da Quebrada Em Movimento

(histórias onde até a verdade se perde no transporte público)




Rafael, jovem universitário, morador do extremo da Zona Sul de São Paulo, aguardava o transporte público com fones de ouvido e mochila à frente do peito. Sempre a mesma rotina: ônibus lotados, longa espera, trânsito, calor.

Entrou no ônibus entre empurrões e buzinas.


Mas aquele dia seria diferente.


No transporte público, cada gesto pode ser inocente ou não.

E a linha entre a verdade e a dúvida é  tão tênue quanto o espaço entre os passageiros.


Rafael sentiu um toque suave em sua perna que o fez congelar , consequência da superlotação ou algo muito além disso. Virou-se e encarou a mulher: ”Porque está me tocando?”- disse em voz firme.


A quietude se tornou insuportável. Uma senhora levantou a voz:”Isso é assédio , sim!”. Um homem retrucou: “Mas o transporte está cheio, não dá para saber!” De repente gerou-se uma discussão coletiva, um julgamento improvisado com cada passageiro defendendo sua própria versão da verdade. “Ele está mentindo!”- “Homem também sofre assédio!”


Rafael tentou se afastar, mas não havia espaço.A mulher sorriu, como se nada tivesse acontecido. O jovem sentiu o peso dos olhares ao redor, alguns de reprovação, outros de dúvidas. O silêncio era sufocante quanto o calor dentro do ônibus.


O desconforto cresceu até que alguém disse:”Vamos linchar!”. Outro respondeu: "Vocês estão exagerando!”. A discussão se espalhou como fogo em palha.


O motorista olhava pelo retrovisor hesitante, nervoso, preocupado, enquanto o ônibus inteiro parecia prestes a explodir em caos.


A tensão crescia, até que o motorista, exausto dos acontecimento, freou bruscamente e lançou todos uns contra os outros, entre empurrões e quedas, o ônibus virou uma massa indistinta de braços e pernas.


No sufoco alguém gritou ironicamente:”Agora sim, não dá para saber quem está assediando quem.”


A verdade, soterrada pelo caos, seguiu viagem junto com os passageiros.


“O transporte público é tão caótico que até a verdade se perde.”


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