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Vamos Por Partes Dia 5

Updated: May 16

Amaury e a Ervilha


Como já sabemos Amaury o funcionário mais antigo da fábrica não tinha muitos amigos, mas em todos os feriados era convocado a trabalhar porque não tinha vida social ou família para se divertir nos dias que os demais saíam com suas famílias, motos, namoradas para curtir os feriados e finais de semana.

Adorava levar no bolso da camisa um grão de ervilha partida ao meio com a marca da serra da faca de mesa.

Todo Santo Dia ele tirava o grão de ervilha do seu bolso e o deixava sobre a mesa em frente o seu prato enquanto almoçava na fábrica de doces bolhas.

Como foram tantas horas extras, a cada dia a mais engordava o "cofrinho" e apaixonava-se por aquele pequeno ser redondinho e esverdeado na cor natural de todo dia.

Naquele feriado não foi diferente, despediu-se do seu grande amor, primeiramente quando terminou o almoço, guardando a amada verdinha dentro do bolso esquerdo da camisa branca que vestia debaixo do macacão cinza surrado e depois, enquanto aproveitava seus últimos minutos de intervalo de almoço, no pátio externo, recebia a notícia de sua amada amiga.

Lógico que este fato merece um parágrafo especial: Amaury chamava sua amiga de "Ella", carinhosamente porque escondia um amor platônico que ele achava que ela nunca saberia. Naquele pós almoço, Ella se aproximou muito entusiasmada e comunicou a ele que estava indo embora por um ano para uma viagem pelo mundo através de uma empresa marítima.

O que Amaury não sabia, era que Ella não ia com o marido como ela tinha comentado. Eles estavam separados fazendo com que sua amiga fosse sozinha. Ella não contou para ele porque achou que Amaury não fosse se importar ou mudar de vida por ela. E, o que Ella não sabia era que Amaury amava sua amiga e por ela talvez faria mudanças bruscas de vida.

Será???

Acredito que sim! A escritora!

Depois de toda a despedida, Ella o abraçou num sincero e demorado abraço e quando se soltaram, Ella caminhou sem olhar para trás. Foi nesse momento, que Amaury sentiu um aperto no peito, colocou a mão por cima do grão de ervilha, foi desfalecendo encostado na parede, caiu sentado ao chão com lágrimas nos olhos, esticando a mão esquerda como se quisesse alcançar Ella e num grito seco e curto, só conseguiu dizer "sempre te amei".


Fava de ervilhas, ilustração em PB
Ervilhas



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