Entre Sabores
- Stela Alves

- 7 de jan.
- 1 min de leitura
O limão cai da árvore
como quem não aceita ordens.
e repousa na palma da mão.
na casca a promessa da acidez,
no suco desperta memórias que nunca perdi.
É fruta e é faca:
corta, cura, arde, limpa.
abre fendas na língua
Na casca rugosa, um mapa secreto da vida.
O amargo que liberta,
o doce que aprisiona,
a liberdade que dói,
cada gota espremida,
um destino que tenta se impor.
Mas há rebeldia no gesto
encruzilhadas no destino,
rotas que levam ao mesmo lugar,
se encaram sem piscar.
A vida que ri da nossa tentativa de entendê-la
Porque viver é isso:
misturar o que fere com o que fortalece,
aceitar que a complexidade também alimenta,
e brindar, sem medo,
Talvez eu seja tudo isso:
frutos pendendo da mão do acaso,
complexos demais para o galho que me sustenta,
insisto em existir para quem tenta me provar
No fim até o limão mais rebelde
acaba espremido pelo tempo.

Stela Alves
SP 15/12/2025





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