top of page
AD.png

Entre Sabores

O limão cai da árvore 

como quem não aceita ordens. 

e repousa na palma da mão.

na casca a promessa da acidez, 

no suco desperta memórias que nunca perdi.


É fruta e é faca: 

corta, cura, arde, limpa. 

abre fendas na língua

Na casca rugosa, um mapa secreto da vida.


O amargo que liberta,

o doce que aprisiona,

a liberdade que dói,

cada gota espremida, 

um destino que tenta se impor. 


Mas há rebeldia no gesto 

encruzilhadas no destino, 

rotas que levam ao mesmo lugar,

se encaram sem piscar.


A vida que ri da nossa tentativa de entendê-la

Porque viver é isso: 

misturar o que fere com o que fortalece, 

aceitar que a complexidade também alimenta,

e brindar, sem medo,


Talvez eu seja tudo isso:

frutos pendendo da mão do acaso,

complexos demais para o galho que me sustenta,

insisto em existir para quem tenta me provar


No fim até o limão mais rebelde

acaba espremido pelo tempo.



Até o limão mais rebelde acaba espremido pelo tempo
Até o limão mais rebelde acaba espremido pelo tempo

Stela Alves

SP 15/12/2025


Comentários


bottom of page