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A Régua e o Abismo”

O Tempo não bate à  porta, 

nem à janela. 

Não pede licença:

simplesmente entra na vida.


O Tempo não se vê, 

apenas se sente. 

É fértil, 

mas lembra a  finitude. 


Ora vem em rajadas de vento,

ora  como uma onda que avança e recua.

Em outras horas, é relógio: 

mecânico, 

pulsando em silêncio.


E às vezes dança -  

passos acelerados, 

giros suspensos, 

pausas que revelam.


Enquanto o Tempo dita o compasso, 

a Vida improvisa


A Vida tenta acompanhar. 

Corre quando ele corre, 

tropeça quando se apressa demais, 

e até ousa corre contra ele. 


É trem que passa por  estações: 

encontros, despedidas, 

abraços que se prolongam.


Mas também sabe ser gentil: 

inventa pausas, 

silêncios suspensos, 

olhares que congelam…

só para segurar o instante.


O Tempo mede, organiza, 

atravessa lembranças,

sonhos, perdas e conquistas.


A Vida desorganiza, 

transborda, 

escapa das margens.


Entre a régua do Tempo 

e o improviso da Vida,

nascem  memórias.


Talvez seja isso: 

viver é aprender a negociar com o Tempo.


A Vida é urgência: 

aproveitar o agora 

diante da incerteza do amanhã.


O Tempo ensina que tudo passa.

Mas a Vida insiste 

em dar sentido ao que fica.


O Tempo não para. 

E no fim, resta a pergunta:

“Será que vivemos o Tempo 

ou o Tempo nos vive?”



Stela Alves

17/11/2025

O Tempo que mede e a Vida que escapa.

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