A Régua e o Abismo”
- Stela Alves

- 21 de nov.
- 1 min de leitura
O Tempo não bate à porta,
nem à janela.
Não pede licença:
simplesmente entra na vida.
O Tempo não se vê,
apenas se sente.
É fértil,
mas lembra a finitude.
Ora vem em rajadas de vento,
ora como uma onda que avança e recua.
Em outras horas, é relógio:
mecânico,
pulsando em silêncio.
E às vezes dança -
passos acelerados,
giros suspensos,
pausas que revelam.
Enquanto o Tempo dita o compasso,
a Vida improvisa
A Vida tenta acompanhar.
Corre quando ele corre,
tropeça quando se apressa demais,
e até ousa corre contra ele.
É trem que passa por estações:
encontros, despedidas,
abraços que se prolongam.
Mas também sabe ser gentil:
inventa pausas,
silêncios suspensos,
olhares que congelam…
só para segurar o instante.
O Tempo mede, organiza,
atravessa lembranças,
sonhos, perdas e conquistas.
A Vida desorganiza,
transborda,
escapa das margens.
Entre a régua do Tempo
e o improviso da Vida,
nascem memórias.
Talvez seja isso:
viver é aprender a negociar com o Tempo.
A Vida é urgência:
aproveitar o agora
diante da incerteza do amanhã.
O Tempo ensina que tudo passa.
Mas a Vida insiste
em dar sentido ao que fica.
O Tempo não para.
E no fim, resta a pergunta:
“Será que vivemos o Tempo
ou o Tempo nos vive?”
Stela Alves
17/11/2025
O Tempo que mede e a Vida que escapa.






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