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Vamos Por Partes Dia 4

Updated: May 16

Aqui jaz Amaury o grande amigo da garotada. Com ele se vai a felicidade em pessoa que não soube pensar diferente. Estaria trabalhando no feriado se não tivesse tido um enfarto que o levou para sete palmos debaixo da terra, mas não se preocupem, nesta fábrica de refrigerantes o que não falta é vaga de empregos e quem vem lá para a vaga do Amaury, por incrível que pareça, contrataram outro Amaury para que a história permaneça em constante mudança.

Como o primeiro Amaury tinha falecido a pouco tempo, em todas as paredes da fábrica, ao lado da famosa foto de refrigerante que causava a felicidade desde a abertura da lata ou a retirada da tampinha na garrafa de vidro retrô, estava ali o tão amigo Amaury, em sua melhor foto, do líder do mês com o endereço e horário de seu sepultamento.

E, o novo Amaury não era amigo de ninguém e não teve o prazer de conhecer o antigo Amaury para ter com ele uma mão amiga. Esse teve que se arranjar por conta própria, porque até infeliz ele era de ter o mesmo nome do falecido, que todo mundo que gostava do antigo Amaury, não se sentia com vontade de cumprimentá-lo pela manhã quem diria à tarde, na noite ou na madrugada durante as horas extras.

Amaury continuava trabalhando e sendo conhecido pelo apelido do nome do livro "O Caso do Menino Calado". Pobre Amaury não tinha amigos e ninguém puxava um dedo de prosa por conta do nome do falecido.

Até que um dia, o novo Amaury sentado no refeitório com sua garrafa de água, sendo observado pelos colegas bebendo diet, em seus costumes saudáveis, tirou de dentro do macacão cinza de trabalho, uma ervilha partida ao meio com as marcas da serra de uma faca de mesa, colocou-as devidamente ao lado de seu prato e bem baixinho som, começou a conversar com elas como se fossem suas melhores colegas de fábrica.

Conversa foi, conversa vai, Amaury pela primeira vez sorriu deixando os colegas da amargura encafifados com tal comportamento porque a única coisa que ouviram o Amaury sussurrar foi a palavra "bullying" e para o espanto da galera com as bochechas rosadas, entenderam que estavam fazendo diferença com o novo rapaz por conta do luto do primeiro rapaz.

Como todos ficaram com vergonha do que estavam fazendo a mais de um mês, deixaram prá lá, mas no dia seguinte, Amaury "o novo rapaz" foi convidado a se sentar em muitas mesas, ouviu tantos bom dias que numa vida de vinte e poucos anos não teria tempo para responder para tanta gente.


Imagem em preto de branco, com a sombra de uma pessoa caminhando numa calçada e galhos de uma palmeira sobre a cabeça da pessoa
Sombra de um ser

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