top of page

Suspiro do magma


Densos invernos dentro de mim,

silenciosos,

adormecidos em cinzas cores,

endurecendo meu corpo, quase rocha

um corpo cansado, [sabe-se lá de que]

nasceu cansado [talvez]

as feridas-crateras, somas de invisibilidades e não pertencimentos,

foram se abrindo, de fora pra dentro e de dentro pra fora, pra se encontrar no oco do peito

e preencher cada vazio com lavas suculentas de dor.

Não há rio escarlate pulsante

Há um perder-se em meus próprios labirintos que eclodem em vazios-solitários.

Não há eco,

Não há arco-íris,

E nem pote de ouro,

Vulcão dormente, inativo.

Percorro-me inteira buscando resquícios do que já foi um dia explosão

um suspiro do magma que braveja a minha liberdade de poeta

no silêncio solitário,

cadenciado pelos desassossegos do cotidiano.

Condenso a dor em grito.

Explodo amores utópicos e adormeço no paraíso inventado no meu ser.


17 views1 comment

Recent Posts

See All
bottom of page