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Penso. Existo. Mas, Tudo Passa...




Escrevo no meu diário. Temos um encontro marcado há anos. Atualmente, ele é o melhor amigo que tenho, pois permite-me falar sem pensar. Folheio algumas páginas escritas, olho em volta e encontro, na minha estante, outros grandes amigos: velhos álbuns de fotografias, muitos porta-retratos, outros muito diários antigos, bibelôs de viagens que resistem à faxina, livros... tudo o que juntei até aqui. Certamente tudo será descartado sem dó, quando eu não estiver mais presente. 

Manuseio páginas de diários antigos, memórias de vários momentos de mim mesma, e um pensamento clichê me invade: tudo passa.

Muitas vezes me sinto egoísta por não compartilhar meus livros, ou por não escancarar o que penso. Por outro lado, a vida me ensinou (outro clichê) que nem todos querem me ouvir. Eu leio e ouço com atenção - e com o coração - o que os autores põem nas suas páginas, porque sei o que se passa com eles quando escrevem, em seus momentos a sós com páginas em branco à frente.

Penso nas inúmeras personagens com quem me identifiquei, nos muitos livros que já li, absorvendo palavras e imagens. Pergunto-me se fui vilã ou heroína, ou se alguém, algum dia, contará histórias onde estive presente. Pergunto-me se fui (ou serei) inspiração (ou orgulho?) de quem compartilhei alguma vivência, se despertei (ou despertarei) lágrimas (ou sorrisos) como eu, quando leio – ou releio - uma boa história, ou o que escrevi. 

Minha estante contém meu mundo. Em páginas escritas, nos livros e diários, enxergo muitas lágrimas não contidas. Em páginas já amareladas, muitas histórias foram contadas; em momentos arriscados e frases riscadas, em pensamentos compartilhados, nem sempre falados, inspirei-me e sonhei. Tentei reescrever minha história. Cada página revisitada ressoa na minha alma (sim, outro clichê). 

Quando escrevo, tento guardar memórias antes que desapareçam. Sou autora de minha vida. Quando leio, viajo em outras memórias. Sou leitora de almas.


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