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O Mapa - Conto 1 - Parte 3



- O que quer dizer com isso? - Gaumdium me perguntou preocupado.

- Estou sentindo, é so isso. Não confie nele Gaumdium. Preciso ir ao nosso quarto. Terminem de mostrar a ele o convento. - E colocando a mão em seu rosto me despedi. - Fique bem meu irmão e se cuide.

Caminhei de volta para o convento e subi as escadas em direção aos quartos. Precisaria de minha mochila e mantimentos. Se Columba sabia de minha identidade não demoraria para me denunciar aos mestres sacerdotes.

Dividia o quarto com Gaumdium e, por obra dos bons espíritos, ele deixava nosso quarto sempre em ordem. Não poderia pedir por um companheiro de cela mais bem organizado. Já estava com a mochila nas mãos quando alguém bateu na porta. Fui ver quem era apenas para ser surpreendido novamente por Columba.

-Precisa melhorar em esconder sua cara de surpresa Flumem. Serio! Não sei como mantém sua identidade escondida de todos. E adentrou o quarto sem ao menos ser convidado fechando a porta atrás dele.

- Acredite, não sou tão facilmente surpreendido. - Ele era mais alto que eu por quase uma cabeça e seus ombros largos e braços fortes deixavam claro sua força fisica. Não seria fácil vencê-lo e fugir.

- Ora, não seja dramático. Não precisa fugir. Guarde essa mochila. - Me disse calmamente.

- Como...?!

- Parece estar acostumado a ser um escudo, é seu dom de espírito na verdade, mas o meu é ler a alma. Acalme se, creio que podemos ajudar um ao outro. - Passou por mim e sentou se na cama de Gaumdium.

- O que quer comigo?! - Agora eu estava claramente irritado.

- Eu tambémbusco o antigo mapa dos planares Flumen. Fui mandado aqui pela Lei dos 7 para consegui lo. É tudo um jogo de poder entre eles e a Ordem da Luz e seu clã estão no meio de tudo.

- Não sabe do que esta falando!

- Não? Entao como sei seu nome...Aer.

- Isso nao é possivel...

- O seu clã de liberdade tem um acordo com um delegado da Lei que por acaso é meu chefe. Fui capaz de ler dele antes de vir para cá. Pretendem extorquir territórios da Ordem e permitirão continuar a manter o mapa escondido. Meu chefe pretende destruí-lo. Somos peões em um jogo e assim que acabar vou ser descartado e seu clã será destruido. - Agora sim qualquer um poderia ver a surpresa estampada em meu rosto.

As lembranças começaram a rodar em minha cabeça: o momento em minha tenda quando os anciãos do clã vieram conversar comigo sobre a missão, meu treinamento na habilidade de escudo com o próprio espíritoe pensamentos, a entrada no convento, os primeiros dias... Não seria possível que os anciãos que eu respeitava tanto estivessem escondendo o verdadeiro motivo da missão.

- Não são tão ruins assim seus anciãos, pelo o menos te aceitarão de volta com todos os meritos da missão. Já o meu futuro é completamente incerto. - Columba disse calmamente enquanto caminhava para a janela do quarto, sua habilidade de ler já estava ficando cansativa.- Peço desculpas por ficar lendo, é o costume.

- É melhor irmos direto ao ponto então. Como podemos nos ajudar? - E você não me denunciar para todos...

-No momento precisamos nos concentrar em encontrar o mapa. O que fazer com ele teremos uma ideia depois. Acredita que está escondido na Torre da Luz certo?

-Sim, mas o acesso está restrito aos sacerdotes...

- Mas eu não preciso adentrar a Torre para obter o conhecimento que...

- Se você estiver perto da Mestra Fábula conseguirá ver...

- Só precisamos fazer as perguntas certas...

Por mais que me custasse admitir esse seria um dos melhores planos até agora. Se a Mestra Fábula soubesse de qualquer indício sobre localização do mapa Columba seria capaz de ler diretamente dela.

-Puella saberá onde a Mestra estará. - E tentei esconder na minha mente o fato que ela também ficará curiosa do motivo de estarmos procurando a Mestra.

-Podemos falar que é minha tarefa como iniciado estudar a história do convento e quem melhor que Fábula, não é mesmo? - Disse Columba lendo novamente meus diálogos internos.

- Alguém já lhe disse o quanto inconveniente é sua habilidade de leitura? - Perguntei-lhe enquanto guardava a mochila e me dirigia à porta.

- Uma vez ou duas. Puella disse que estaria na biblioteca dos alunos organizando os livros. Vamos!

- Se acha que sabe ler terá uma surpresa. Os olhos de Puella não perdem nada. Espero que saiba esconder uma mentira o mesmo tanto que sabe descobri-la.

- Não se preocupe para isso temos você.

Saímos do quarto e seguimos em direção a biblioteca dos alunos onde Puella estava.

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Puella

1 commentaire


Raquel Vitória
Raquel Vitória
01 avr.

Que narrativa ! Fiquei presa do inicio ao fim. Mais mais mais...

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