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O Caso 666

Prédio Madrid, centro da cidade, uma sexta-feira, apartamento 7 do 7º andar, ouve-se um barulho estrondoso acima do meu, música alta a noite toda e na madrugada. Eu não aguentava mais aquela situação insuportável, criança chorando, cachorro latindo, barulhos estranhos, música alta. Toda sexta-feira eu tinha a esperança que a situação fosse melhorar até a sexta semana morando naquele apê. Não tinha fim, mesmo ligando para o síndico, para o zelador, para o raio que o partisse ao meio.

Eu ia dormir esquematizando um plano infalível para que aquele som terminasse para eu descansar o sono dos justos, que aliás "justo" nos tempos atuais tem sido algo escasso.

Naquela manhã de quinta, me sentei na cozinha e tinha em mãos uma caneta de cada cor e um caderno de desenho onde eu rascunhava todo tipo de coisa, lista de compras, rotina da semana, consultas médicas e de repente me veio à mente uma ideia que a princípio eu não queria nem pensar, porém só de lembrar que mesmo cansada eu ia ter uma noite do capeta, eu comecei a esboçar meu primeiro e último plano de extermínio daquelas pessoas insuportáveis do 7º andar.

"Eis que minhas 4 caixas de pizza chegaram, esparramo o amaldiçoado e traiçoeiro fel com luvas e máscara pela pizza toda, sem cheiro e sem cor, entre um sarcástico sorriso de vitória. Subo pelas escadas fugindo das câmeras de segurança, em passos leves mesmo com o estrondoso barulho do abençoado vizinho, toco a companhia, quase arrebento a porta com socos, até que um bruta montes abre a porta, "suas pizzas chegaram", o grosseirão me olha, arranca as caixas das minhas mãos, dá um pontapé na porta..."

No dia seguinte levanto com uma baita enxaqueca, olheiras enormes, mais uma noite sem pregar os olhos. Vou até a cozinha, arranco as folhas do caderno, taco fogo nelas, e enquanto faço um café, procuro no app um novo apê para alugar.



Desafio #73

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