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Mascarados

    Nós brincamos carnaval no bloquinho infantil, que é a melhor opção para pais que têm filhos pequenos. A gente diz que vai só “levar” as crianças, entende? 


      — Estratégia, Lia! — O maridão gosta de dizer.


      Quase um mês confeccionando os trajes de bate-bola, cada um de uma cor. Não entendi por que quiseram essa fantasia, já que morrem de medo, principalmente o caçula.


      — Mamãe, mamãe! — Ele veio gritando, de repente.

      — Que foi? — Perguntei, já desconfiando de alguma treta.


     Só vi os dois maiores correndo na frente e nem tive tempo de pedir para levantarem as máscaras e mostrarem os rostos ao menorzinho. Criança é fogo, mas irmão é pior. Ainda mais quando os mais velhos querem manter o mais novo bem longe deles.


       Na rua, o meu caçulinha não saia de perto da gente, apreensivo, ainda sob o efeito do susto. Quanta maldade!, pensei, doida para ter uma boa conversa com os dois que se divertiam entre vários amigos.


       De repente, comecei a ouvir choro e gritos infantis. Meu filho mais novo pulou no colo do pai e até os mais velhos vieram se esconder atrás de nós.


      Um grupo de bate-bolas invadiu o nosso espaço, causando alvoroço entre as crianças. Até adultos pareciam incomodados! Por que será que essa fantasia consegue despertar tanta admiração e medo, ao mesmo tempo?


      — Vocês estão assustando os pequenos! — Vários pais gritaram. 


      Os invasores passaram e seguiram em frente em silêncio. Altivos, misteriosos, enormes. Pareciam seres encantados, vivendo entre o bem e o mal.


     Vendo que os irmãos ainda estavam amedrontados, o menor pegou a sua máscara sobre a cadeira de praia que havíamos levado e mostrou para eles.


     — Não precisa ficar com medo. Tem uma pessoa por baixo. Viram!?


      Meu coração de mãe se encheu de ternura.


      As crianças passaram a brincar perto de nós. De vez em quando, olhavam em volta, procurando e temendo…


       Então, num ímpeto de coragem, o caçula vestiu novamente a fantasia e os três começaram a bater as bolas no chão com força.


       — Agora, nós é que vamos assustar eles — gritaram, querendo revanche.


      Rimos bastante. Os mascarados não voltaram, as crianças acabaram esquecendo o assunto e todo mundo se esbaldou ao som das marchinhas de carnaval…



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