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Gold Medal Sem Sair de Casa

Many moons ago, na minha adolescência, eu pratiquei alguns esportes (ou pelo menos, tentei), para tentar me manter em forma. Com meus hormônios a pique, baixa auto-estima e distúrbio de imagem corporal, não conseguia ter o corpo imaginado e invejado de outras meninas. Também, era um meio de participar de um grupo e sentir-me incluída, já que era meio nerd - estou sendo humilde, era muuuuuuito nerd. Êta época sofrida!


Apesar de querer ter praticado voleibol, nunca fiz parte de nenhum time, por não ter estatura suficiente, força nos braços para bater a bola em cortadas, nem conseguir pular alto na rede. Assistia minhas colegas jogarem, e quando participava de algum jogo morria de medo de não sacar direito, e paralisava quando a bola vinha em minha direção. Ainda hoje tenho pesadelos onde estou jogando e fazendo feio.


Tentei fazer parte de um time de basquete, na escolinha do clube de um time estadual de futebol. Tínhamos aulas com um técnico charmoso, paciente, mas que declaradamente não tinha a menor esperança em nos escalar no time. Nos jogos oficiais, ficava sempre no banco, assistindo de longe, e rezando para não ser escalada. Bem, assistindo não seria a palavra correta, uma vez que não enxergava quase nada – naquela época não usava lentes de contato, e não podia usar óculos de grau na quadra.


Em um bendito dia, o técnico resolveu substituir as jogadoras na quadra por nós, meninas da reserva, para no finalzinho do tempo de jogo termos a experiência de participar. Estávamos perdendo mesmo, então ele decidiu nos presentear com a escalação. Lembro que meu coração saía pela boca, e tentava ficar e parecer calma. Em um certo momento, a bola veio para mim. Eu só queria me desfazer daquele objeto, o mais rápido possível. Corri numa direção, pensando que era para a cesta do time adversário. Ouvi um monte de gritos, mas achava que eu estava a ponto de fazer um ponto no último minuto - seria a minha glória. Foi quando alguém do meu time gritou que eu estava indo para a nossa própria área, a ponto de encestar a rede do nosso time! O apito do juiz encerrando o jogo me poupou do desastre e humilhação, e encerrou também a minha carreira promissora de jogadora de basquetebol. Não voltei ao clube para as aulas, morrendo de vergonha.


Depois daquele episódio, ainda tentei praticar handball no time da escola, mas não tive sucesso. Esportes de grupo não eram a minha praia. Não conseguia olhar adiante para planejar o jogo, literalmente por não ter boa visão. Esportes de grupo requerem estratégia, visão geral do que está acontecendo, team work. Qualidades que conclui não ter, para o domínio destes tipos de esporte.


As únicas vezes que consegui algum destaque foram em esportes individuais, como a natação e o atletismo. Ganhei umas medalhas em campeonatos estaduais, e até fui convocada para o time nacional na corrida de 800 metros, mas desisti de minha carreira de atleta para entrar na faculdade. Não nasci para ser glorificada nas olimpíadas.


Hoje em dia, o único esporte que pratico, se é que podemos considerar como esporte, é ioga. Para manter minha flexibilidade e mobilidade, e ser uma velhinha independente.


E, é claro, o esporte de levantamento de copos de vinho, nos fins de semana. E de garfo. Pelo menos sei que não sofro competição em casa, nem me sinto humilhada por ter feito bobagens. Isto é, se não abusar do copo e do garfo 😉.




Gattorno Giaquinto

#50: Praticando Esporte e Escrita


 

referência das imagens neste texto: mídia do WIX + freepik + GIF do Wix

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2 Comments


Pelo menos os textos não saíram tão iguais ... perspectivas diferentes pra uma vida parecida 😂😂😉

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Ainda bem🤣

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