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Folga da Caneta

Não sei dizer a última vez que escrevi com uma caneta. Não vou te iludir e nem mentir. Nesta manhã escrevi um texto... Não foi bem um texto, foi um garrancho, cheio de rabiscos que eu mal entendia. Tentei escrever sem rasurar, meio que impossível. Bom, não tão bom, mas tentei, o texto ficou explicativo para sua função, não tão b@sta, não tão lindo.


Sabe aqueles textos reflexivos que te levam do céu ao inferno em poucos instantes, mas que podem te deixar lá por alguns dias, porque ressoam na sua cabeça como o badalar do sino da catedral?


Da minha infância à juventude, eu passava minhas férias na casa dos meus avós em Curitiba, pelo menos três meses do ano eu estava lá. Meus avós moravam no centro da cidade, glamoroso de manhã e sinistro à noite. Nesses anos de estadia ouvi de tudo um pouco como a mulher que corria pela rua gritando pedindo ajuda e seu corpo foi encontrado morto na região no dia seguinte, da mesma forma que todas as badaladas diariamente daquele sino que badalava dentro da minha cabeça.


Esses acontecimentos me intrigava deveras porque não importava qual tipo de mulher ela era, importava que ela estava em perigo. E quantas mulheres sofreram caladas em seus relacionamentos por não terem como mudar suas realidades de vida, numa época onde o divórcio não existia e no tempo que tudo que acontecia de mal a elas era culpa delas.


Na mesma época que as badaladas dos sinos serviam para contar as horas, doze badaladas significava que era meio dia, seis da tarde, meia noite. Quem hoje precisa que o sino avise as horas, nem sei se ainda aquele "bendito" sino ainda toca, com todo mundo tendo celular.


Eu via cada coisa e sabia de tantas outras tantas coisas sem necessidade de saber. Como por exemplo a noite que fui no cinema assistir um filme de guerra sem ter a idade necessária para entrar no cinema. Quem me levou foi o meu pai e a minha mãe. Desnecessário eu ter assistido tanta violência de guerra. Sei que não me acrescentou em nada. Ou uma vez que minha mãe recebeu uma amiga e essa criatura começou a contar as violências que uma amiga dela passou dentro de casa durante um assalto.


Até hoje eu imagino aquelas cenas e penso que a pessoa queria desabafar, devia ter dito para um adulto sem uma criança presente na mesma sala.


As pessoas a uns trinta anos atrás e mais atrás ainda eram perversas, não pensavam em preservar a integridade das crianças. Antes eram tratadas como mini adultos, depois essas crianças trabalhavam como um adulto, ouviam as besteiras dos adultos, quer dizer, algumas ouvem até hoje porque crianças repetem os mesmos palavrões dos adultos que deveriam cuidar e preservar por suas integridade emocional, social e física.


Aqui a caneta não escreve, mas o teclado do notebook se cansa de colocar palavras nas telas desses textos da wix.com.


É desta forma que vou escrevendo, contribuindo para novas reflexões pertinentes a esse mundo tão adoecido.


Deixo você por aqui e nos vemos em breve!!



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