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Envelopamento

Vou me conhecer.

Não é difícil.

Não é muito fácil.

 

Me desconheço nesse casulo.

Vou desvendar esse mistério.

O mistério do viver.

 

Não há pátio.

Nem caixa de ferramenta,

O velho se torna novo,

Quando envelopo as caixas.

Já apagadas, rasgadas, desgastada.

Caixas que anos atrás acomodavam, frutas.

Frutas essas vendidas na feira, na banca de um amigo.

 

O azul ficou mais azul.

O roxo bem mais vivo e brilhante. 

E as caixas com essas cores vibrantes, sorriem.

Ficam felizes pois lembrei desse cuidar.

 

Estavam lá, com todas as recordações.

Recordações essas em forma de cartas, fotos, desenhos infantis, álbuns.

Tudo dos meus filhos quando crianças, hoje adultos.

Homens e pais, com suas crianças.

Hoje a caixa abriga, recortes e rabiscos dos netos.

 

Encontro várias cartinhas, com todo tipo de erro de português, rsrsrs

Com pedidos de desculpas, dizeres amorosos, choros.

 

Lembranças.

 

As caixas riem e se alegram mais ainda, quando o sol encabulado, surge.

Reflete essas cores fortes.

Ainda um pouco tímidas, pois o papel contact não foi suficiente,

E esse envelopar tem rasuras, partes sem o papel, faltas.

 

Mas elas sabem o carinho que tenho, pois guardam memórias.

Algumas boas, outras nem tão boas.

Mas são memórias.

Contam as recordações, 30 anos.

Que minhas mãos movimentam e acariciam.

 



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1 Comment


Bob Wilson
Bob Wilson
May 20

Já falei e vou sempre repetir quando ler seus textos: Acho muito bonito como você sempre traz a questão do etarismo no seu texto de modo sútil e poético. Parabéns!

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