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Ciclos

Ontem e hoje tem acontecido episódios importantes na minha vida. Para eu explicar tudo, vou voltar lá na infância de muita gente, mais especificamente na vida do Pinóquio. Lembram dele? Pois então, o Pinóquio tem o "amigo" chamado "sua consciência", de nome "Grilo Falante". Será que todo mundo tem uma voz na cabeça? O Pinóquio travava monólogos com sua consciência, com a voz interna, no caso do filme um diálogo, já que o Grilo Falante é um personagem. De acordo com os estudos recentes, os pesquisadores dizem que nem todas as pessoas tem essa "voz" na cabeça. Eu converso com ela todas as vezes que tenho algo para resolver, entender, buscar soluções, até mesmo para me criticar. Todo ano tem desafios novos positivos e não tão bons assim. De qualquer maneira, todos os episódios da vida da gente, tem propósitos e ensinamentos. Algo para evoluir e passar de fase, como um game. Este ano não foi diferente em fases, foi diferente em desafios profissionais, pessoais e nas conexões com pessoas que me traziam a impressão de já ter me conectado com elas em outros momentos da minha vida, como se a vida estivesse fazendo uma limpeza de pequenos assuntos passados, para deixar o caminho aberto para futuros. A cada desafio passado, a cada fase alcançada, a cada ciclo vencido, me lembro como podemos nos superar a cada dia.

Este ano profissional foi MUITO desafiador, mesmo que todo ano seja. 2023 enfrentei desvalorização e desrespeito profissional de quem, a meu ver, deveria dar exemplos coerentes, liderar positivamente para que cada profissional se sentisse pertencente. O que aconteceu foi o inverso em todos os sentidos, que me fez tomar uma decisão importante; sair do espaço que eu gosto de estar.

Para tomar essa decisão, avaliei cada ponto: o espaço físico, as relações, o ambiente, as conquistas e as renúncias. Foi uma fase difícil, um luto diário. Eu podia ficar e ser esmagada numa relação ofensiva e abusiva de assédios morais, permitindo a repetição de ciclos doentes. Eu escolhi sair, mudar, mesmo quando o desconforto tomou conta de mim. Eu vivenciei episódios de vida abusiva na adolescência e na vida adulta. Não queria isso para mim, não ia permitir conscientemente que esses momentos se repetissem com outros personagens. Então, minha voz interior, minha terapeuta, eu e o Universo chegamos a conclusão respondendo a uma única pergunta: "o que eu quero para minha vida?". Posso dizer que reformulei inúmeras vezes essa resposta, até ficar perfeita e me permiti responder em duas partes: "Eu quero ser feliz e estar em relacionamentos saudáveis, com pessoas saudáveis".

Desde então, comecei a fechar ciclos do passado e do presente até chegar onde estou hoje, ainda no mesmo ambiente profissional, fechando o ano de conquistas pelo trabalho reconhecido por quem mais importava, pelas amizades que eu conquistei, sentindo insegurança e medo em vários momentos dentro do ambiente profissional.

Ontem e hoje aconteceram duas reuniões com as pessoas que me receberam com certa desconfiança e que foram confiando no decorrer do ano. Essas pessoas me acolheram e respeitaram o meu trabalho. Entregaram à mim, o que de mais valoroso elas tem. Eu cuidei, orientei, conversei várias vezes, construí relações saudáveis até que eles passaram a confiar em mim porque contavam seus segredos mais guardados, suas vontades, seus sonhos.

No meio do ano, tive que entrar no armário de "Nárnia" e ficar confinada lá por alguns meses, após uma reunião extremamente estressante, onde eu tive que me posicionar com o meu senso de justiça, chorando 3 dias seguidos cada vez que chegava para trabalhar. Nesse tempo, além de estar em Nárnia, vesti "meu pijama listrado" e ia trabalhar; como eu me sentia mal, no lugar que eu não devia mais ocupar.

Ontem e hoje pude começar a finalizar um ciclo onde eu não posso "ser" quem eu de fato sou. Comecei a me despedir das pessoas que confiaram suas filhas e filhos diariamente no espaço escolar pautado em competição e não em cooperação como deveria ser.

Hoje me emocionei, segurei o choro, me despedi, em nome da liberdade de princípios e concepções. Hoje abri a porta para poder sair porque não escolhi os leões.





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