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A Varanda e o Tempo



Fonte: Imagem do Arquivo Pessoal



Há tempo não vou à minha varanda. Idealizei-a como meu lugar de escape, aberto, mas protegido pela segurança de estar em casa. Pequeno, mas abastardo para do tempo, descansar.

Fiz tantos planos para um dia, utilizá-la mais! Comprei uma cadeira para deixar o sol passear na minha pele, sentir o aconchego da madeira em frestas e a lua iluminar o meu olhar. Queria muitas plantas – mais do que caberiam nesse “meu lugar”.

Pendurei sinos de vento, contas, sol, estrela, lua...onde pudesse ouvir o canto dos pássaros e o silêncio do universo, as batidas do meu coração. Comprei uma rede, para enganar o tempo e lembrar do mar.

Mas o domingo chegava, e o tempo não sobrava: só passava. A cadeira e a rede me chamavam, e eu desviava desse canto para me entregar a outros cantos.

Fiz tantos planos!

Hoje, o tempo apareceu, de soslaio, me empurrou na parede e gritou: e agora??

Sento-me na cadeira; ainda está quente. É verão. Os raios do sol criam sombras nas partes cobertas pelas folhas dos vasos. A rede, aberta ao devaneio, não vai me aquecer o coração. Só o corpo.

Olho para minhas plantas – as sobreviventes, agora secas pela água que deixaram de tomar – e me pergunto: por que não me sentei mais vezes?

A música que o vento toca no sino sopra a minha alma. Fecho os olhos; o tempo me acaricia. O sol vai se deitando, por trás do grande prédio que oculta as cores que se formam no horizonte, acinzentando a cena.

É sexta feira, e os carros gritam, ao longe, que há pressa em viver sem pensar. Os ruídos se distanciam.

Meus olhos, pesados, me tornam viajante do tempo, nos lugares onde sonhos podem se realizar.

 



Desafio #16: Texto descritivo

Título: A Varanda e o Tempo

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