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Hmmm...

Domingo tão esperado, família à mesa na casa da avó era dia de abobrinha recheada ou massa, dependia de que vó. Na casa de mãe e de pai, um dia tinha um prato e no outro, o outro. E se dependesse do humor da mãe e do bolso do pai, estrogonofe com cogumelo, arroz branco, batata frita e salada de repolho bem fininho temperada com limão e azeite.

Todas as escolhas remetem às lembranças afetivas, de mãe, de avós.


A comida representava não só alimentar o corpo. Tinha tudo a ver com as memórias construídas e enraizadas tanto no coração quanto na mente e eu nem sabia que essa intencionalidade existia.


Na casa da avó árabe tinha o doce de semolina recheado de nozes, o pão sírio com zathar, as esfihas de escarola, o kibe cru e o assado, o tabule, a salada de coalhada, nos tempos sem alergia ou intolerância à lactose.


Na casa da mãe, a comida era usada como forma de chantagem emocional quando eu não queria comer alguma coisa "nunca mais vou fazer para você".


Hoje, com todos os velhos mortos jovens prefiro ficar com as memórias alimentares afetivas positivas. E, para que lembrar do que não é bom?


Até hoje quando preciso de uma lembrança da infância ou de acolher meus sentimentos faço algo que aquece a alma e acalenta o coração.



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