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#8: Eu e o Meu Jardim


Inspirando.


Sentada na cadeira de balanço na varanda de minha casa, com uma xícara de café na mão, olho para fora e vejo o meu jardim respirando junto comigo, num ritmo cadenciado. Olho com atenção em volta, e sinto que estou em paz com o mundo. Embora o mundo não esteja em paz com a humanidade, neste momento.


Criação, nascimento, beleza, paixão, doenças, morte. Reflito: o que acontece comigo, acontece também com minhas plantas e flores. A Natureza é copiada e copia. Vejo-me no reflexo de um espelho verde em todas as direções para onde fixo o meu olhar.


O que sou e como me sinto, encontro no meu jardim. Quando alegre, falo com minhas plantinhas, rego-as, sinto-me tranquila. Quando chateada ou triste, olho para elas mas não as vejo, não as molho, percebo-as definhando - e me sinto desumana. Ação e reação: elas me fazem feliz, eu as faço sofrer, sem me dar conta ou querendo.


Ritual de quase todas as tardes ao chegar do trabalho. Alegre às sextas-feiras, emburrada às segundas. Às vezes, mal humorada mesmo no fim do domingo, ao pensar na semana à frente. Seria melhor se eu não pensasse qual dia me encontro, ao sentar na varanda, transformando todo fim de tarde num ritual belo, meditativo, transcedendo o dia-a-dia no aqui e agora.


Hoje é segunda-feira. Prometo a mim mesma que vou olhar para o meu jardim sem mais expectativas, a não ser o de sentir o perfume das flores; não pensar na semana pela frente, mas no ciclo da Natureza que ajudei a criar ao plantar as mudas no meu jardim muito tempo atrás. Refletindo no que eu sou, não no que eu quero ou pretendo ser - afinal de contas, uma rosa é uma rosa, não pretende ser uma margarida.  Tentando me concentrar em absorver a vida que me abraça, enxergando o explodir de cores das folhas e flores diante de mim.


Quero sentir o ciclo da Natureza penetrando em todo o meu ser, hoje e sempre. Até chegar a hora em que não vou poder olhar mais para meu jardim.


Expirando....

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