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22 de Abril de 1500

Updated: May 16

Saí naquela manhã da minha oca, acordando cedo para comer beiju. Sem saber como avisar o cacique e o pajé da minha aldeia sobre o sonho que eu tinha tido naquela noite. Sem entender se era real ou uma grande fantasia dos Deuses da Floresta ou dos Ancestrais, engoli meu café da manhã e fui procurar o Pajé para contar o que eu vi e que não era bom.


Assim que me aproximei deles, muitos vieram até mim com suas lanças e forças reais, dizendo em Guarani que eu entendia perfeitamente sem saber como. Ouvi atentamente todas as suas palavras e respeitosamente o Pajé se direcionou a mim, mesmo antes que eu pudesse dialogar e disse que ele tinha sonhado comigo chegando a aldeia para dizer coisas sem nexo, que os espíritos diziam para tomarem cuidado comigo, que eu traria o perigo para a aldeia.


Todos se assustaram e me convidaram a sair dali. Eu falei que eu não sabia como tinha chegado ali, que me lembrava da bola de fogo que toquei sem me queimar e que acordei na oca como eles, falando Guarani sem saber como.


A conversa foi truculenta, mas me ouviram do começo ao final, sem muito acreditar infelizmente. Contei que os navios chegariam e que o povo corria risco de morte, que eles precisavam estar preparados para tudo. Contei o que no futuro tinha acontecido e que a luta por terra, pela vida, por comida, por tudo seria gigantesca. Que eles precisavam se esconder, viajar, mudar, silenciar, lutar ou qualquer coisa para preservar suas vidas, mas tudo foi em vão.


À noite fui para oca e de lá voltei no tempo. Talvez uma andorinha não faz verão a muito tempo.



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