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Tsunamis


Imagens gerada com IA e ajustadas no Canva





Não há filmes nem novelas sem uma trilha sonora de fundo.  Sou da época em que decorava músicas românticas de todos os filmes assistidos, copiava as frases importantes e chorava copiosamente, mesmo quando assistia em replay — o que ainda faço.


Algumas músicas trazem lágrimas quando escuto, outras me fazem querer dançar— as de funk que, na dança fit, faço coreografias, viram piada no grupo da família. Mas a música que ouço agora...essa me faz lembrar uma carta — não havia WhatsApp — que nunca gostaria de ter recebido.


Nada do que foi será

De novo do jeito que já foi um dia

Tudo passa, tudo sempre passará

A vida vem em ondas, como um mar

Num indo e vindo infinito


Sim, eu sei, — respondo — Mas saber não minimiza a dor. Saber não me responde muitas coisas. Tantos momentos passam e ficam registrados, ainda, no corpo e na memória!

Tudo passa, tudo sempre passará — eu ouvi isso há anos. Como na letra da música. Um fora musical.


  As palavras, abafadas num travesseiro molhado, releio pela milésima vez, com o conselho “isto passa”, para fechar um ciclo. O ciclo era imensamente dolorido, e eu não via, à época, como iria passar.


A carta citava a frase do livro de Hermann Hesse, que conta a jornada de Siddharta Gautama em sua busca de iluminação espiritual.


Eu não estava em busca espiritual, tudo parecia escuro e doía pra caramba o que eu estava passando. Buda que me perdoe, mas, à época, xinguei bastante essa frase. Em mim, feita de carne e osso, a dor sentida não era fictícia.


Coincidentemente (ou não), Lulu lançou a música “Como uma Onda” no período que esse tsunami varreu minha vida. Eu ouvia e soluçava. Virou a trilha sonora da minha vida.




Tudo o que se vê não é

Igual ao que a gente viu há um segundo

Tudo muda o tempo todo no mundo


Isto passa — diz o mestre, para coisas boas ou nem tão boas — Tudo é transitório, nada dura pra sempre — dizem Buda e Lulu.


Mas, também, reconheço, tem muita sabedoria na letra, além de um ritmo dançante que empurra as teclas do meu computador como se meus pés deslizassem pela sala onde meus pensamentos voam, agora.


Eles dizem para buscar a paz interior mesmo em momentos difíceis, e manter a humildade e gratidão, nos momentos felizes — porque, basicamente, tudo que sobe desce, na roda da vida. Depois da tempestade vem a bonança, e de novo, e de novo...a roda gira.


A décima carta dos Arcanos Maiores do tarot é a Roda da Fortuna. Essa carta ainda está no meio da jornada do tarot. Fala de mudanças como uma parte constante e inevitável da vida.  


E loucos somos nós, que insistimos na jornada, remando contra as marés e limpando a casa depois do maremoto interno. Sem esmorecer a esperança que está lá no fundo do poço, junto com a gente.


Não adianta fugir

Nem mentir pra si mesmo agora

Há tanta vida lá fora

Aqui dentro, sempre


O que faço com as cores que não enxergo, com a música triste que me traz lágrimas que embaçam minha vida? — pergunto pra mim mesma.


Nem sempre vejo cores na vida. Acho que isso acontece com muita gente. Até inventaram a lente cor de rosa, para dar um tom mais leve ao que os olhos e o coração estão sentindo.



Talvez o “longe dos olhos, longe do coração” seja o sentido das ondas do mar, que, em seu movimento de ir e vir, limpam o oceano. Quando o recuo do mar é muito grande, chega o aviso da maré alta, do tsunami. Como a vida. Como a minha vida.




Buda e Lulu têm razão...tudo passa.


Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar


Goretti Giaquinto

Desafio #22: Litera+Musical




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