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Motor Home

A alguns meses atrás comprei uma Sprinter para reformar todinha e transformar numa casa rodante. Levei para uma oficina e tudo começou. Tudo que tinha dentro do carro foi saindo para dar espaço às instalações de uma casa com quarto, sala, banheiro, chuveiro e muito armazenamento necessário e eficiente. Morar na estrada também precisa de segurança e de conforto.


Aquele caderno com mapas, trilhas, países, cidades, pontos turísticos, locais de acesso apenas para motorhome, aplicativos com lugares seguros para pernoite e estadias com internet, ferramentas, toldo, utensílios, etc é a certeza que este sonho estava saindo do papel, afinal a vida é para ser vivida.


Meu objetivo é viajar com a Marezinha minha neta de 4 patas, vamos começar pelo Brasil, subindo para o nordeste a fim de conhecer cidades que ainda não conheço, passar por Maranhão e descer até o Rio Grande do Sul para desbravar as pequenas e grandes cidades pelo caminho. Percorrer alguns países como a Nicarágua, um país bem mais barato que a Costa Rica, chegar nas ilhotas onde tem vulcões.


 

Mas, enquanto isso não começa, vamos repassar todos os detalhes..


"Mochilão pronto com toalha de banho, nécessaire básica com shampoo sólido, roupas de calor e de frio, tênis e um chinelo. Vinte dias de férias, essa mochila não vai ser moleza, mas vou enfrentar esse desafio Lembra de pegar a outra menor para colocar alguns itens de alimentação, documentos pessoais. Ah, coloca tudo em cima da cama, desta vez você não vai precisar da barraca..." Assim foi a conversa que tive com meu cérebro, organizando os detalhes, pensando nos bilhetes de metrô, as passagens digitais de ônibus, o cartão internacional e algumas moedas físicas do outro país que vou conhecer.


Hoje é o grande dia, serão 5 dias de viagem de ônibus, mal dormi de tão ansiosa que estou, estou na rodoviária em São Paulo, embarcando na linha de ônibus mais longa do mundo, 6.000 km de viagem. Sentei na parte de cima do ônibus na poltrona em frente a janela de frente, num semi-leito.


Eu estava com mochilão e uma mochila, mas outros passageiros embarcaram com até 50kg pois além de malas tinham caixas de TV e bicicletas. Quando todos estavam embarcados, um dos motoristas subiu para dar alguns recados sobre o uso do cinto de segurança, bom relacionamento entre os passageiros, respeito, uso do banheiro, paradas para alimentação e banho. Seguimos viagem conversando com o passageiro que estava sentado na poltrona do outro lado do corredor, já a noite começamos a viajar com destino ao Mato Grosso do Sul, no amanhecer, sendo o terceiro estado do trajeto para quem pegou o ônibus no Rio de Janeiro. Cruzamos rios, pontes, vegetação tropical, seca, pois a cada região do Brasil, a paisagem se modificava. Como as paradas nos postos não tinham muito horário fixo, as comidinhas que levei na mochila me ajudaram a segurar a fome durante a viagem. Um dos postos que paramos foi o Gabrielly sem banho, somente para o café da manhã, me abastecer de água gelada e mais alguns snakes para o percurso.

Trinta minutos de parada, seguimos no nosso trajeto até o almoço em Campo Grande. Os locais de refeições são mais acessíveis financeiramente. Dica: leve lenços umedecidos e baixe séries no seu celular porque o sinal de wi-fi no ônibus não é tão bom e você pode ficar até dois dias sem banho.


Em uma das paradas, à noite, o banho de 10 reais foi frio e o custo da alimentação foi mais caro que nas outras paradas, então se organize para uma viagem como essa que a passagem pode custar 1300 reais, você precisa levar dinheiro além do cartão.


Aproveitei a noite para dormir mesmo com dificuldade de relaxar na poltrona do ônibus. De manhã paramos em Cuiabá e Porto Velho para embarque de passageiros, comi uma maçã assim que acordei. À noite teve paradas de 40 minutos na estrada para fiscalização e obras nas pistas. Paramos em Pontes Lacerda no Mato Grosso para o café da manhã, com mais 300km até Rondônia. Em cada parada, os motoristas limpam e higienizam o banheiro e nós passageiros usam apenas para o número 1.


Paramos para o almoço com comida de fogão à lenha no Mato Grosso, mas já estamos bem perto de Rondônia e enquanto entrávamos em território Rondonlense, nós passageiros começamos a conversar sobre a comida do Peru, qual região serve o melhor 'ceviche', 'tacu tacu' entre outras...


Em Cacoal, Rondônia paramos mais cedo para o jantar e para o banho frio sem gastos adicionais. Seguimos viagem observando o céu avermelhado, com a certeza do calor escaldante do lado de fora. À noite a estrada estava bem esburacada, não foi fácil relaxar ou dormir. De manhã paramos num posto próximo a garagem da empresa, onde o ônibus foi lavado, higienizado enquanto nós tomamos o café da manhã em Rio Branco no Acre.


Minha vontade era descer no Acre para ficar alguns dias e conhecer alguns locais interessantes, mas o objetivo desta viagem é chegar em Lima. Para o almoço, paramos em Capixaba no interior do Acre, no restaurante mais antiga da cidade com a comida por kilo mais acessível em relação aos valores conhecidos em São Paulo.


Assim que chegamos na última cidade de Assis Brasil antes do território Peruano, paramos no posto da polícia federal para dar a saída do Brasil, se tiver seu passaporte leve junto para mais um carimbo ou seu RG atualizado (validade de 10 anos) e a noite em território Peruano, demos a entrada no país onde me perguntaram se era a primeira vez e quantos dias eu ficarei.


Viajamos a noite toda com uma parada em Puerto Maldonado para jantar (leve a moeda local que é o Solis ou obtenha o cartão Wise que você faz a conversão ou Nomad que converte para outras moedas assim que você passa o cartão, com taxas baixas, utilize o cupom de https://nomad.onelink.me/wIQT/ConviteNomad


Pela manhã, atravessando a Cordilheira dos Andes, um espetáculo de paisagem numa estrada pitoresca, estrada sinuosa com animais na pista como foi o caso das Alpacas. casinhas coloridas nos morros, vegetação baixa, com tons de verdes, marrons e neve no topo das montanhas, com um céu azul claro espetacular.


Paramos na Cordilheira para um café, mas não aceitaram cartão e paguei com dinheiro, para mim e um outro passageiro (sempre leve dinheiro em espécie).


Quando chegamos em Cuzco, muitas pessoas desceram e encerraram sua viagem, eu continuei com destino a Lima, com direito a parada para alimentação e um merecido banho quente. A viagem não rendeu dali para frente por conta da estrada sinuosa e a comida não foi boa e para quem como eu não come carne, as opções ficam mais limitadas.


Às 6 horas da manhã nosso ônibus parou por causa de obras e quando desci para caminhar no trecho parado encontrei pessoas vendendo comidas e o tempo mais frio onde coloquei minha jaqueta. Agora, o visual é um espetáculo à parte, com o ônibus raspando na beira dos precipícios Liberaram a estrada às 9h30 para continuarmos a viajar. O último trecho de viagem foi com uma parada em Nazca no Peru para almoço, onde comi pacotes de batata frita e outros salgadinhos; visite o mirante durante seu almoço alternativo.


Depois de 8 horas de viagem final chegamos em Lima perto de Miraflores. Os gastos com alimentação e banho foi de aproximadamente 500 reais. A viagem foi espetacular, meus amigos me pegaram na rodoviária, passeamos na caótica cidade de Lima, conheci outras cidades lindas e minha volta foi de avião.


Carro branco de carga para transformação em casa rodante
Casa rodante







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7 Comments


Grata surpresa saber que a minha colega de trabalho também é uma viajante que busca a cultura local por onde passa. Parabéns!

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Gratidão

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Que coragem e disposição! Texto ótimo, uma viagem...😉 Boa sorte com a Sprinter. Ela já tem nome?😃

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São sonhos bem reais..

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Puxa! Que legal! Viajei com você sem sair do lugar. Obrigada!

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Quem sabe faremos uma viagem real juntas. Bora para Lima??

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