top of page

De Repente, um Repente...


Homem com violão, cacto num vaso e diversos itens caseiros
Cordel, patrimônio da nossa gente (Imagem: DALL-E 3)


Comichão não espera antes de falar  

Na trova como nessa vida aperreada            

Saio cantando palavras que nem um cão

Versos saltam da língua numa carreada

O coração pulsa que nem um abestado

Nas canções levo minha vida chateado

Coração mole como uma flor arroxeada

 

Em rima e na pressa, como fofoca

Conto histórias desse povo diverso

Povo forte, gentil e afeiçoado na arenga

Palavras se atropelam em cada verso

Não espero aplausos, fico de tocaia

Nem sempre agrado, como maracutaia

E quem não entende fica mais perverso

 

 

Faço de histórias causos pra contar

Sou falante e avexado sim senhor

Sou nordestino, sulista ou nortista,

Falo do povo, do marido, do traidor

No boteco, em casa ou na vizinha

Cabra da peste, cabueta, mulher minha

Falo da mulher que espera com amor

 

Prefiro a vida onde eu cante o afeto

Não me avexo no sotaque do turista

Com a sanfona, violão ou tambor

Sigo e enfrento, chamado de bairrista

Se ele compra minhas palavras de dor

Me faço mais cantante com louvor

Na música e na paixão sigo carreirista

 

A praça espera, o povo aguarda

Me preparo e lá chego contente

Tem gente triste, alegre, apressada

Canto descabriado, povo impaciente

Canto a vida seja ela como for

Triste ou sorrindo, luto pelo amor

Sigo, sempre, em frente, no repente!

 

 




 

Goretti Giaquinto

Desafio #91 de 365

Tema: Cordel que é Cordel...

Escreva um cordel que fale sobre a literatura de cordel

Utilizar rimas e métricas, características do cordel, mantendo a estrutura tradicional

Mínimo de 4 estrofes

 

 

Recent Posts

See All

1 Comment


Me senti perto de casa😉

Like
bottom of page