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Amigos Pra Sempre


Um peixe, um polvo, sob o mar e uma rede aprisionando o peixe
De onde menos se espera chega a ajuda necessária... (IMagem IA-DALL-E 3)

O sol gosta de aparecer cedinho, na linha onde o mar encontra céu. Geralmente pontual, em alguns períodos se atrasa. Mas aparece. Acorda, se espreguiça, mistura as tintas que leva em seus muitos braços. Cria um cenário para cada lugar. Para cada um que consegue lhe sentir.

No mar, um peixinho chamado Juju espera diariamente por esse momento, encantado. Sabe que as cores nunca são iguais às do dia anterior. A mistura de cores na água deixa suas barbatanas mais bonitas. Mesmo quando submerso. Sente que os outros peixinhos ficam lhe olhando fixamente, e se acha o rei do pedaço.

Mas tem alguém que se acha mais, pensa Juju. E tem mais braços, pode agarrar mais cores. Popó, um polvo metido a besta, feioso e de quem todos fogem, achando que serão enredados como aquela teia que de vez em quando apanha alguns amigos desprevenidos.

Naquele dia, o sol despertou estranho. Estava deixando cores diferentes na água, que estava bem mais aquecida e movimentada que os outros dias. 

Juju resolveu ir até a superfície, para ver o que estava acontecendo. A água estava com tons avermelhados. Não era o azul prateado nem o verde azulado, nem o alaranjado ou o azul arroxeado a que estava acostumado.

Foi nadando, nadando, nadando. De repente, sentir-se preso em fios. Quanto mais nadava pra escapar, mais se emaranhava. Foi ficando nervoso. Foi ficando agitado. Foi se amarrando. Com medo.

Quase desistindo, e pensando que devia começar a dizer adeus à vida que então levava, se sentiu abraçado. Puxado. Achou que podia ser o seu final, e que aquele sol esquisito seria o que seus amigos diziam ser o final dos tempos.

Após um breve momento, se viu livre dos fios, e descobriu seu abraço. Popó o havia seguido, era experiente com aquele cenário. Sabia que um dos seus amigos podia ser apanhado. Amigos que pensavam que ele era o estranho inimigo. E abraçou o perigo. Desafiou a rede e as cores diferentes. Salvou Juju de um destino que ainda não era pra ser. Seu amigo Juju ainda tinha muito o que descobrir. Popó sentiu que era seu dever. No abraço, tirou Juju da rede. Mas, como tinha muitos braços, se aprisionou.

Mesmo vendo Juju nadando feliz para longe do perigo, e ele não, sentiu que sua missão estava realizada. E se entregou. Teria outro destino — alimentar uma família, quem sabe. E isso o deixou feliz. Até o último suspiro, quando descobriu o que estava acima das águas que eram sua casa tinham cores diferentes, onde o amigo sol era, realmente, o rei.

Juju e Popó seriam amigos pra sempre, além das cores que conheciam. Um guardaria do outro as lembranças do que viveram juntos, abraçados nas cores que tão bem conheciam.



 

Goretti Giaquinto

Desafio #72 de 365

Tema: Para as Crianças

Defina 2 animais, 1 lugar fictício e uma moral

Escrava uma fábula (narrativa em verso ou prosa)

Caracteres livres

Sob o que parece ser há surpresas, e podem ser boas ....


 

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1 Comment


Texto lindinho❤️

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