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Tamo Junto

Updated: May 16


Um casal na praia, com celulares na mão,indígenas e uma caravela ao fundo
Um dia pra mudar o mundo (Imagem IA/DALL-E 3/ajustada no Canva)


Quando Monik e Claude me mostraram a máquina de tempo que estavam projetando, fiquei muito empolgado. Éramos colegas na Universidade de Harvard, e me juntei a eles a partir do quinto período, a convite de Monik. Topei de cara. Com nossa experiência na tecnologia, ciência espacial, astrofísica e quântica, confiávamos no sucesso da empreitada.


Coube a mim programar o destino da nossa primeira viagem.

Eu escolhi: iríamos voltar à época em que o Brasil foi descoberto.

Convenci os colegas do nosso potencial como nação do futuro.


Monik, uma inteligente jovem holandesa, conhecia o Brasil, a mãe dela era brasileira. Claude, jovem francês promissor, tinha parentes em São Paulo, e passou férias por lá, quando adolescente. A minha ida para os Estados Unidos tinha sido graças a uma bolsa integral de estudos. Fiquei exultante por ter conseguido. Meu pai era neto de um português imigrante, e minha mãe, bisneta de italianos.


A máquina não permitia que fossemos os três — um teria que ficar, para manejar e acompanhar o período em que estaríamos no passado, garantindo nosso retorno. Eu e Monik nos voluntariamos. Levaríamos os celulares, que tentaríamos usar na tradução de idioma, mas não tínhamos certeza se funcionaria — se a carga aguentaria a viagem. Nossa estadia cobriria no máximo um dia, por lá.


E o grande dia chegou.


Acordamos com os indígenas ao redor de nós, surpresos com nossas roupas, nossa aparência. Avistamos o navio português ancorado. Tínhamos de ser rápidos na transmissão do conhecimento. Ligamos nossos celulares, os indígenas recuaram, assustados, e direcionaram suas lanças para nós. Fizemos gestos com nossos braços, mostrando que éramos amigáveis.


Iniciamos um diálogo, com o tradutor do celular. Fomos levados ao pajé e ao cacique da aldeia. Encontramos Pedro Álvares Cabral. Explicamos nossa jornada. Pedro não parecia entender muito, até que mostramos nossos celulares. A princípio, pensou ser uma arma. Explicamos que, se mal usado, realmente seria uma arma poderosa. Assim como, se bem usado.

Juntamos portugueses e indígenas, procurando transmitir

a importância de uma troca justa dos dois lados.


Relatamos o que a presença posterior de franceses, holandeses e de outros imigrantes — incluindo os africanos — poderiam trazer de desenvolvimento, se priorizassem o desenvolvimento da terra sem ganância, e com liberdade. Mostramos o quanto os povos originários sofreriam com doenças, escravidão e lutas que, aos poucos, os dizimariam e os recolheriam em poucas terras, sem chance de se manterem como povos integrados à nossa Nação.  


Todos se abalaram ao ver a situação

dos povos indígenas remanescentes no Brasil de 2024


Recebemos uma mensagem do Claude, nosso tempo estava acabando. Participamos de uma cerimônia onde sentimos a energia de nossos ancestrais. Levaríamos esse dia conosco, em nossas memórias. Nas fotos que registramos. Monik quase não queria voltar, estava encantada. As crianças ficavam ao seu lado, como se enfeitiçadas com sua presença.


Nosso retorno foi como uma foto deletada: nos desintegramos na frente de todos, e ressurgimos ao lado da máquina, exaustos. Claude pegou nossos celulares, para recarga. Estava ansioso com a viagem e com os registros que dissemos ter feito. Dormimos imediatamente. Nossos corpos precisavam se restaurar. Acordamos com a notícia que os registros não haviam permanecido, nos celulares.


Não tínhamos provas da jornada.

Exceto a pulseira que Monik havia recebido de uma das crianças.


Essa pulseira fez a diferença. Com ela, Monik desistiu do seu curso, em Harvard, e foi para a Amazônia, onde criou uma fundação franco-holandesa-brasileira, da qual nós três somos sócios. A fundação levou para a população local computadores, professores e interessados na troca de conhecimento. Nas experiências que fariam a diferença a partir do presente. Sem o viés de outras épocas.


Hoje vi uma notícia nas redes: Portugal assumiu os erros do passado. Acho que nossa visita fez efeito...


Fonte: Instagram, em 25/02/24

 

Goretti Giaquinto

Desafio #112 de 365

Você e seus amigos decidiram realizar uma viagem ao passado, mais especificamente até o dia 22 de abril de 1500, data da chegada dos portugueses às Américas e do descobrimento do Brasil.Sabendo o que sabem deste país. Tentariam mudar algo deste fato? Entrariam em contato com os portugueses ou povo originário?

Qual seria a atitude de vocês?

Tema: Não Descubram o Brasil

1 - Você e mais 2 pessoas fizeram uma viagem para 22 de abril de 1500 (descobrimento do brasil);

2 - Cientes da história deste país, vocês devem alertar o povo originário do que está por vir;

3 - Utilizem ao menos 2 acontecimentos / episódios reais da história em seu texto. Ex: A história dos portugueses entregarem espelhos;

4 - Os 3 personagens envolvidos precisam ter protagonismo e terminarem a história voltando para os dias atuais notando mudanças (boas ou não) na sociedade;

5 - Conto de no máximo 2000 caracteres

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