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Escolhas.

Updated: May 16


Mão feminina junto a uma mão masculina, Alexa entre elas
Batalhas, escolhas. O que vence? (Imagem IA DALL-E 3)

Eles se conheceram no trabalho, como muitos casais. Tinham atividades em comum — academia no mesmo horário, pão na mesma padaria, compras urgentes no mesmo supermercado do bairro. Moravam próximos, mas não sabiam – até se conhecerem no trabalho. E decidirem ficar juntos, na pressa de quem acha que é para sempre.


Coisas do destino, disse ela, quando deram o primeiro beijo, na sala de descanso da empresa. Beijo furtivo. Relacionamento escondido, normas da empresa. Ele era chefe dela.

Quando uma crise não deu alternativas à empresa, os dois tiveram de sair e buscar outro emprego para pagar os boletos.


A crise não foi só naquela empresa, e o emprego só foi fácil para ele. Decidiram que ela ficaria em casa, voltaria a escrever no blog que tinha quando se conheceram. Tentariam usar as redes para complementar a renda, enquanto a vida espremia as contas. Amar era prioridade em comum. Sobreviveriam.


A rotina faz estragos. Trabalhar muito desfaz romances. Redes criam armadilhas. Solidão traz ressentimentos.


Ambos dividiam a Alexa, para matar as saudades um do outro e se fazerem companhia. O gadget ficava em casa, com ela, na maior parte do tempo. Viraram boas companheiras. Em plantões de trabalho, nos feriados, o gadget seguia com ele, para lembrar o amor que o esperava em casa, distraindo o tempo para a rotina ficar mais leve.


No vaivém da rotina estressante, de muitos momentos não compartilhados como antes, nas descobertas interessantes jogadas pelas redes, o amor foi se escondendo, as briguinhas aumentaram.


Alexa, antes com guarda compartilhada, virou litígio. Ganhou força pela companhia substituída. Culpas viraram impasses, palavras cobriram gestos, e a companhia mútua ficou difícil.


Um dia, quando o silêncio pairava entre os dois, num momento em que a decisão teria que ser tomada, Alexa foi despertada. Algo a despertou, e seguiu falando o poema que ouvira tantas vezes ser lido, quando companheira foi dos dois, em momentos alternados.


Arrebatado é como sentimos

Arriscado amor que paira entre nós

Alaranjada energia nos devassa

Ardendo escorre por nossos corpos

Alumiado pavio que magma o amor

Ajustando jeitos e momentos diferentes

Acasos, encontros e desencontros

Alto e bom tom se agita

Amor no peito inquieto

Acima da alma a buscar

Amor de outros tempos

 

E o gadget os relembrou o amor.


Ele saiu do emprego. Foi para outro, mais bem aproveitado. Com horários mais flexíveis, sem precisar da Alexa para lembrar o amor deixado em casa.


Ela superou as armadilhas da rede, percebendo quão falsas podem ser. E o blog de ajuda, repaginado, trouxe seguidoras que gostavam das histórias de rotina compartilhadas com um olhar de superação.


Alexa voltou a cumprir a função para a qual foi programada, sendo reflexo dos donos, sem ser motivo de briga.  E a vida continuou.


O amor escolheu superar rotinas, vazios. Uma batalha foi vencida. Pelo menos, por enquanto. Talvez, não para sempre.





 

Goretti Giaquinto

Desafios #119 a 123 de 365 (Parte 05 (#123)

Tema: De Grão em Grão

OBS: Entregar (Postar no site) cada desafio separado, ou seja, teremos 5 entregas normais esta semana. A diferença é que todos os desafios da semana basicamente serão uma continuação para, lá na sexta feira, você finalizar com um conto. Caracteres livres para todos os desafios.

1. Descreva um poema de amor onde toda linha tenha uma palavra começando com a letra “a”;

2. Crie um diálogo entre dois personagens em que um deles está se despedindo do outro por conta do trabalho (em pleno feriado);

3. Descreva o cenário do local de trabalho do personagem que se despediu, abusando das metáforas. Obs: ele/ela está sozinho/a no local;

4. Escreva um conto em que um objeto inanimado vira o melhor amigo do protagonista da história que está trabalhando sozinho no feriado;

5. Utilize os elementos dos desafios anteriores para criar um conto em que um personagem se despede de um grande amor, e, em pleno feriado, sozinho no trabalho, ele/ela se apaixona por um objeto inanimado criando poemas de amor para o mesmo, e assim, passar o tempo.

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