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Em Memória a um assassino, por Lis

Numa tarde de inverno, eu abro meus olhos, com a cabeça completamente vazia. Do meu lado, está um lobo, que parece me acompanhar, ao meu redor vejo uma floresta aberta.

Enquanto vejo os flocos de neve cairem, caminho sem rumo, o lobo me segue tranquilamente. Mais a frente vejo uma casa pequena e coberta de neve, eu subo a escada da entrada e bato na porta, e enquanto eu espero ela ser aberta, fico pensando no que perguntar, quem sou eu? isso seria muito vago, onde estou? Mesmo que me respondesse, eu não entenderia, talvez, você me conhece? acho uma boa pergunta.

Ela devagar abre, e aparece um rosto, uma jovem garota de olhos escuros, e cabelos claros, a expressão dela mudou de repente, ela expressa surpresa, medo e alegria, ela diz devagar:

- Jack?!- Ela me conhece? pelo jeito sim.

- O que você faz aqui? - ela pergunta.

- Você me conhece? - eu pergunto.

- Mais ou menos, eu te vi no jornal.

- Quem sou eu? - eu falo contente.

- Como assim, quem é você? você se esqueceu? - ela pergunta angustiada e eu respondo triste:

- As únicas coisas que eu sei, é que eu estou numa floresta, no inverno, com um lobo e encontrei você, que me chamou pelo nome Jack - ela fica mais surpresa ainda.

- Antes de tudo, entre, vamos conversar- eu aceito com a cabeça e me dirijo para dentro da casa.


Ao entrar vejo uma casa simples mas aconchegante, não avistava ninguém, ela devia morar sozinha, ela me chama para sentar, o lobo senta com a gente no sofá.


- Primeiramente, eu me chamo Haru, e moro sozinha nessa casa de campo. Você se chama Jack, e pelo que eu sei, você trabalha capturando assassinos, em um grupo dentro da base militar, que é especializada nisso. Vejo muitos relatos seus no jornal, que muitas vezes termina o caso sozinhe com o seu lobo.

- Entendi, isso é muito novo pra mim, talvez pensando assim, eu tenha ido em uma missão sozinho, e no final acabei sem memórias. E quando você disse que eu terminava as missões sozinhe, o quer dizer com sozinhe?

- Ah, é que você sempre disse que não tinha género, tipo, você não é nem homem, nem mulher, por isso o sozinhe.

- Entendi, faz sentido, mas e meu passado, você sabe algo?

- Infelizmente não, você não conta nada sobre seu passado, nem para seus amigos do trabalho.

- Entendo, tudo bem, então se eu voltar para a base militar, podem voltar algumas memórias minhas?

- Eu acredito que sim, mas não posso afirmar, ha tem uma coisa que você precisa saber antes de voltar, tem muitos assassinos no qual você poupou a vida, que estão atrás de você, eles se ajudaram para fugir da prisão e querem vingança, eu estava lendo isso agora mesmo, sei que você é um assassino profissional, mas como perdeu as memórias, tome muito cuidado.

- Entendi, muito obrigade Haru, vou tomar cuidado, e usar muito bem essas informações.

- Não há de que Jack, se precisar de algo, pode voltar.

- Ah, uma última pergunta, você sabe o nome desse lobo que me segue?

- Ah sim, ele se chama Tsuki, ele também é bem famoso por ser um lobo amigável com você, ele vai com você em todas as missões.

- Entendi, obrigade Haru, já vou indo com o Tsuki- indo até a porta, Haru a abre para que eu e Tsuki, possamos passar. -Até mais Haru, obrigade!

- Até mais Jack!


E dessa maneira, agora tenho rumo, e sei por onde devo seguir, junto com Tsuki, vou até a base militar contar o que supostamente aconteceu, e tentar recuperar minha memória.

Depois de andar por algumas horas, finalmente estou chegando à cidade, mas algo me incomoda, me sinto observade, seriam aquelas pessoas que fugiram da prisão, como Haru havia falado? Provavelmente sim. Lentamente, eu paro de andar, Tsuki percebe o perigo, tento descobrir onde estão, o vento está a meu favor, são quatro, todos homens, consigo ouvir a bola de peso em seus pés, estão sem armas, será que eu lembro como luta? Vou descobrir logo. Sem muito esperar, eles atacam, tudo ficou em câmera lenta, e eu fiquei com uma sede horrenda, uma sede de sangue, como se algo me dominasse, e em alguns segundos, sem nem notar, todos estavam no chão, mortos, Tsuki nem reagiu, parece que eu ainda lembro de como se luta.

Em seguida, me recomponho e continuo andando, não havia dado nem cinco minutos e aparece mais deles, mas dessa vez não eram poucos, de acordo com o vento, havia onze, mas não tinha certeza, eles não demoraram para atacar, vieram todos de uma vez, Tsuki nocauteou quatro deles, os outros sete, em sete segundos, estavam todos desmaiados.

Eu novamente me recomponho, e vou seguindo em direção a cidade, estava próxima, então não demorou muito, parecia cidade grande, com prédios altos, ruas movimentadas, eu segui andando, algumas pessoas me olhavam torto, com cara medo, já outras pediam autógrafos, eu não conseguia dar, por que, horas, eu nem sabia qual era minha assinatura. A cada esquina eu perguntava onde ficava a base militar, e desse jeito eu seguia meu rumo.

Um pouco mais a frente, senti uma agonia, um mal pressentimento, levantei imediatamente a minha guarda, fiquei alerta, eu prestava atenção em cada passo ou movimento naquela rua, e em um segundo senti algo vindo muito rápido na minha direção, mais precisamente, em minha cabeça, uma bala, assim que soube de que direção vinha ela, consegui detectar sua velocidade, sendo possivel eu pega-lá, já que era muito arriscado eu desviar e pegar em alguém na rua. Quando a vi, coloquei-a entre meus dedos, a fazendo parar imediatamente. Logo à frente vi um tumulto, era o atirador, ele não era amador que nem os outros.

Eu corri o mais rápido que pude, quando cheguei lá, ele havia escapado, mas pera, ouço um sinal, o sinal do banco, que droga, ele me atirou e em seguida foi assaltar o banco?!

Corri em direção ao banco que estava do outro lado da rua, arrombado, entrei com pressa, as pessoas ficaram mais relaxadas, fui procurar o meliante, todos apontavam para a saída dos fundos então fui pra lá.

Quando chego, são dois, uma mulher e um cara, correndo em uma rua estreita, com um saco grande e duas armas de baixo calibre, comecei a correr atrás deles, Tsuki corria comigo com uma expressão brava, mostrando os dentes, ele deve conhecer eles, isso só me fez ficar ainda mais brave. Foi aí que eu senti algo me dominando de novo, uma extrema raiva e ódio, coisas que aumentaram minha força e minha sede de sangue, não, eu também estava com fome, muita fome, eu quero carne, carne humana, eu comecei a correr de forma não natural, eu pareço mais um animal, mas é legal.

Em alguns segundos eu alcancei eles, antes que eu pudesse tocá-los, um deles atira em mim, me fazendo rolar no chão, Tsuki se agita me protegendo, mas a mulher assustada atira nele, que desmaia. Quando olhei para ele no chão, ferido, eu me perdi, minha visão ficou preta, esse preto com certeza é ódio, raiva, sede e fome, eu não sinto meu corpo, quando tudo volta ao normal, vejo minha boca, saciando a sede de sangue e minha fome de carne, não sobrou nada deles, apenas as armas e o dinheiro. Começou a escurecer, me limpo rapidamente, pego Tsuki, e começo a correr em direção a base.

Em alguns minutos, eu chego à base, todos me reconheceram, eles ficaram assustados mas muito alegres, eu fui correndo até algum lugar no qual parecia uma enfermaria. No caminho eu encontro um homem alto com uma roupa diferente, ele devia saber onde fica, então eu fui perguntar a ele. Ele não me deixou nem terminar de perguntar, e me levou até a enfermaria, na qual disse que Tsuki estava em boas mãos.

Depois de deixá-la aos cuidados médicos, ele veio conversar comigo afobado:


- Capi! eu achei que você estava morto, onde esteve?!

- Por que eu estaria morto?

- Você não lembra do que aconteceu há três dias? Numa missão, eu abaixei a minha guarda por um segundo, e o inimigo ia atirar em mim, e aí você se colocou na minha frente recebendo o tiro, depois você ficou meio estranho e nos mandou recuar, mas você ficou para trás, eu achei que estivesse morto, me desculpe, você está bem? não precisa de ajuda médica?

- Eu estou bem obrigade, mas o tiro que eu levei não devia ser um tiro comum.

- Como assim?

- Eu perdi minha memória, achei que quando eu chegasse aqui lembraria de algo, mas não consegui.

- Eita, então era verdade.

- O que era verdade?

- Tem um hospital aqui perto que estava fazendo produção de um remédio para amnezia, e para produzir esse remédio, é preciso de uma droga que te faz esquecer de tudo, havia boatos de que um fugitivo roubou uma dessas drogas, não imaginei que era verdade, muito menos que iriam tentar atirar em mim.

- E tem algum jeito de reverter essa droga?

- Não tenho certeza, mas o remédio em si, deve reverter.

- Entendi, obrigade, vou até o hospital, por favor fique aqui com Tsuki.

- Entendido, boa sorte Capi.


Assim, eu corri até o hospital, eu não sabia direito onde era, mas haviam muitas sinalizações, então não foi difícil encontrar. Quando entrei, respirei fundo, e contei à moça da recepção o que havia acontecido e se o remédio poderia ajudar, ela compreendeu calmamente, e foi pegar o remédio que estava no estoque. Enquanto esperava, eu ficava cada vez mais relaxade, sabendo que em poucos minutos eu lembraria de tudo, de quem sou, do meu passado, e de meu propósito. Ela chega com uma caixa de comprimidos e um copo d'água, sem pensar duas vezes, peguei um comprimido, coloquei na boca e tomei a água, aos poucos foram vindo as lembranças. Eu a agradeci, e perguntei quanto havia ficado, ela disse que eu por ter salvo tantas vidas, não precisava pagar, eu agradeci novamente e sai do hospital, e caminhei de volta a base. Cumprimentei o homem de antes, e disse que eu estava cansade e queria dormir um pouco, ele me mostrou meu dormitório, no qual eu dormi até o sol nascer.

Quando abri meus olhos, com o sol começando o dia, e minha mente cheia, tentando organizar todas as memórias, lembranças e emoções, eu animade, levanto de bom humor, brincando de atirar enquanto arrumo minha cama, depois fui cumprimentar o esquadrão, e fui agradecer ao Hayato que me ajudou ontem com o Tsuki e a droga, em seguida fui ver Tsuki que se encontrava perfeitamente bem, a enfermeira que me entregou ele disse que ele era muito em se regenerar e brincou que só por isso que ele ainda estava vivo ao meu lado, não gostei da piada mas sei que é verdade, eu a agradeci e fui começar mais um dia normal como um profissional em capturar assassinos da base militar.



Lis faz parte do Grupo de Jovens do projeto É DIA DE ESCREVER.


Segue ela no @leirymyleiry.

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