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Era manhã de sábado e minha vó e eu tínhamos acabado de chegar da feira. Deitado no sofá vendo televisão de onde eu estava conseguia observar o portão de casa pela porta aberta. Chegaria daqui a pouco. O moço da loja já tinha ligado perguntando se tinha alguém em casa pois estavam vindo entregar: um computador novo.


   Minha ansiedade estava amontoada em duas partes: a máquina em si e o fato dela me proporcionar um jogo de Xadrez eletrônico. Não me lembro exatamente quando começou minha fascinação pelo jogo, mas a chegada de um computador novo no qual eu conseguiria ter infinitas partidas contra, só fez aumentar meu encantamento.


   Bateram palma no portão e eu literalmente pulei do sofá e fui atender. Guiei o moço pela porta de entrada da sala e então para a copa onde o rack do PC já estava montado. Esperei a instalação e assim que estava tudo pronto e o computador ligou fui diretamente na aba de iniciar procurar pelo Xadrez.


   Foi a primeira vez na minha vida que virei a noite sem dormir. Viria outras quando as novas atualizações saíssem, porém essa primeira foi especial. Apliquei todas as técnicas que conhecia e tinha meu livro da história do xadrez aberto na frente do computador tentando derrotá-lo uma partida atrás da outra. A atração de criar estratégias para surpreender a máquina e ganhar dela criava em mim absoluto prazer.


   Jogava xadrez todos os dias sem falhar um até que entrei no ensino médio. As matérias preparatórias para o vestibular me tiravam o tempo que eu tinha para jogar. Encontrei um amigo onde eu estudava que também gostava de jogar e por vezes passamos a hora do intervalo com um mini tabuleiro portátil. Hoje tenho o jogo instalado no meu celular tenho uma partida ou outra esporadicamente, mas aquelas jogatinas noturnas na infância enquanto comia pizza fria e bebia guaraná continuam sendo o melhor do esporte que já tive.

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