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Uma Crônica Dos Anos 50 Sobre o Amor

Atualizado: 17 de jun.

Aos que retornam periodicamente, hoje escrevo sobre o "Dia Dos Namorados".


E somente escrevo porque alguém expectorou despropósitos não sobre a data, sobre isso ele trouxe a mais pura verdade, mas sim sobre o amor.


Sou de poucas amizades, mas de muito querer pelo entorno com quem convivo. Gosto de gastar meu rico dinheirinho nos bares, mercados, lotéricas, padarias, e outros estabelecimentos do meu bairro. E, esse último fim de semana descobri uma velha biblioteca, ou seria um sebo organizado (quase impossível) aqui no meu bairro.


Um espaço com zero noção de marketing (não tinha uma placa, um nada que indicasse ali um espaço como um sebo), e noção igual para limpeza (principalmente da sua fachada). Descobri este lugar porque como e bebo algumas vezes na semana em um botequim em uma rua que sempre passam pessoas subindo ela com livros, jornais e revistas em mãos. Dobram a esquina, sobem a rua, esfregam suas relíquias literárias em minha cara, e vão embora. Depois de alguns meses, desci a rua do botequim para ver o porque de todo esse sobe e desse de pessoas em posse de diversas artes em forma de escrita. No botequim, ninguém sabia o que era isso. Aliás, como disse, Orlando, dono do botequim, "nem nunca reparei nisso, Bob".


Dei a sorte de na hora que desci e dobrei a rua, 3 pessoas saiam de uma garagem com livros e revistas. Na frente uma puta árvore que tampava a visão do espaço. Já na porta, perguntei o que tinha ali e uns falaram "biblioteca" e outros, "sebo". Fui entrando pois a porta fechava sozinha. Ninguém veio falar comigo, uma senhora de meia idade com traços indígenas que aparentava estar cuidando do local me viu do outro lado do espaço, acenou com a cabeça positivamente mas, não falou nada, e eu segui vagabundiando pelo local. Num dos cantos empoeirados desta velha biblioteca, onde os livros parecem ter sido esquecidos pelos deuses do conhecimento mas ficam perfeitamente alinhados e catalogados, trombei e mantive-me por um tempo imerso na leitura de uma crônica fossilizada dos anos 50. Um cronista, empoleirado em sua torre de marfim, pontificava sobre o Dia dos Namorados, tecendo comparações e reduzindo o amor em números, planilhas e em, unicamente, uma análise de mercado. Sem preparo, e de pé, me deixei ser sorvido para as profundezas de seu texto.


O velho cronista, que certamente mergulhava sua pena em tinta da mais liberal e conservadora, descrevia o "Dia dos Namorados" como "uma oportunidade dourada para o mercado". Popularizada nos anos 40 aqui no Brasil, ele destilava sua visão capitalista sobre a data, transformando o amor, aquele que vence dimensões, o óbito, as mazelas, dores e que nos eleva a um estado de espírito singular, em gráficos e em uma mera transação monetária.


"O amor é um produto".

Este era o título da crônica do velho.


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