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Um Natal Para Não Esquecer


Vivia sozinha numa vila com casas próximas uma da outra. Era simpática com todos, daí o convite para passar o Natal com a família vizinha. Ficou contente, pois o filho mais velho era seu tipo: alto, bonito, charmoso e solteiro.


Em frente ao espelho por duas horas, tirava e colocava roupas, optando por um vestidinho vermelho-sangue curto mostrando o que, pensava, tinha para mostrar. Sapatos de salto altíssimo, quase não conseguia andar direito. Cambaleando, dirigiu-se à porta dos vizinhos e tocou a campainha. Deu os primeiros passos sorridente, olhando em volta para encontrar o alvo de toda sua preparação. Ele estava lindo - acompanhado de uma mulher belíssima.


Surpresa, não viu o batente na entrada - caiu estatelada no chão, desta vez mostrando realmente o que tinha para ser mostrado! Saltos do seu sapato, quebrados. Vestido cor de sangue, rasgado. Tentou rir pra disfarçar o embaraçamento. Levantou com ajuda da dona da casa. Sentou na cadeira mais próxima, não viu que tinha um prato deixado ao acaso com bastante molho - fingiu que nada aconteceu. Sorriu para todos, aceitou todas bebidas oferecidas inclusive uma que queimou sua garganta e a fez tossir - e o vestido fez um barulho suspeito.


Na hora da ceia, foi a última a se servir. Encheu seu prato e correu para sua cadeira. Empanturrou-se velozmente. Quando deu para sentir o gosto do que tinha comido, foi tarde demais. O vômito veio imediatamente, com a tremenda coceira no corpo.


Terminou a noite de Natal na cama do hospital.

 

Gattorno Giaquinto

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