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Sabiá no Asfalto



Fonte: Freepik/imagem de jannoon028

Fonte: arquivo pessoal


"Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá"...

No colégio aprendemos a cantar o Hino Nacional, com mão direita ao peito, em total reverência. Quem foi criança nos idos de 1900 e bolinha, geralmente cantava no início do dia, nas segundas feiras, antes de ir para a sala de aula. Época difícil em todos os cantos do Brasil.

Quando criança não entendemos muitas coisas — mesmo as crianças atuais, com uma tela que é suficiente para descortinar um mundo a cada minuto. Quando adultos, percebemos que o sabiá está dentro de nós, e as palmeiras, existem em qualquer lugar que façamos de porto seguro. Podemos ficar presos ou livres, a escolha é nossa. Se as palmeiras nos inspiram ao canto, vamos ficando. Se não, buscamos outras.

No nosso país temos essa liberdade, pois há cenários magníficos; se a prisão é interna, a paisagem externa não fará diferença. Se não há palmeiras nas proximidades, o sabiá pode cantar onde estiver. Aprende. Se acomoda. Não deixa se abater.

Por que falo disso? Autoajuda? Não. Experiência. Desapego. Sou da geração dos sabiás que se escondiam, porque não havia liberdade para cantar. Sou de uma terra onde o mar é quente, o sol é constante, torra a pele, e que o povo tem fama de acolhimento. Tive que deixar esse mar, essa terra e essas pessoas para viver em outras palmeiras, numa terra também quente, mas com pessoas mais frias.

Larguei o mar, mas trouxe ele dentro de mim. Na varanda do prédio onde quase nunca vou, porque imagino lunetas nas janelas que tiram minha intimidade — nos prédios colados ao meu—, ouso imaginar um mar lá longe, por trás do horizonte cinzento que me rodeia. Esses mares me inspiram, me consolam, trazem canções para o sabiá que ainda vive em mim. E sigo, cantando e ficando onde vejo palmeiras e o mar.

 

 Desafio #09 Dia do Fico

Título: Sabiá no Asfalto

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