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Primeiro Mar - Última parte

  



Só me restava mais dois quartos para terminar de instalar as novas luminárias. Laura decidiu reformar a pousada e todos os quartos ganharam uma iluminação simples e acolhedora.  A casa principal fica de frente para a rua com o portão de entrada do lado, aos fundos temos um grande pátio/jardim onde os aposentos dos hóspedes ficam organizados em forma de “U” com a porta de entrada voltada para o pátio e as janelas para o mar, facilitadas pela falta de vizinhos dos dois lados. A acolhedora pousada facilita a interação dos visitantes fazendo que toda a área comum seja aberta incluindo a enorme mesa de café da manhã na varanda.


   Por ser em uma área mais afastada da cidade de Prado na Bahia o silêncio reinava com as ondas do mar e o canto dos pássaros, das castanheiras em volta da propriedade, como seus fiéis súditos. Tinha algo ali que minha alma ansiava e que me mantinha fixo no local. Já havia recebido melhores propostas de trabalho e não aceitara. Laura me dizia que meu espírito estava na espera e que por algum motivo não permitia que eu me afastasse. Ela estava mais certa do que podíamos imaginar.


     Terminada a reforma Laura foi a cidade para cuidar da propaganda e divulgação da pousada Vila dos Pescadores. Receberíamos as visitas a partir de hoje dia 23 de setembro quando acontecia o equinócio de primavera. Finalizei alguns últimos retoques, tomei um banho e me sentei na pequena varanda de meu antigo aposento, agora transformado no quarto sete, para almoçar. O mar estava em um belíssimo tom de azul cintilando com a luz do sol e o céu, sem nenhuma nuvem, refletindo essa beleza. O bater das ondas combinado com a vista, o cheiro de sal no ar e a sensação de tarefa cumprida criou em mim um transe fazendo meu olhar se fixar no horizonte.


   Senti a água tocar meus pés e percebi ter andado até a praia.  Era meio-dia e o sol estava no topo de minha cabeça. A linha entre o céu e o mar pareceu se abrir e dali surgiu uma luz que rapidamente desapareceu. Foi como uma estrela cadente diurna. Das ondas do mar surgiram duas mulheres segurando a mão uma da outra. O rosto que via refletido no mar pela luz da lua cheia desde que cheguei aqui estava, estranhamente, nelas. Vieram andando em minha direção e me abraçaram. O toque transformou minha mente em um turbilhão de memórias: a despedida do meu plano de existência, a ida para Terriare e minha função de investigador da Lei dos 7, minha ida para o convento da Ordem da Luz e a libertação do mapa, minha volta para Terriare e o golpe fatal na lei transferindo-a para a monarquia, o encontro com aquele ser misterioso, o plano de vir para o mundo físico para preparar a chegada de minha família.


   - Finalmente estamos juntos... Columba meu amor!

   - Papai por favor, não vamos nos separar novamente, não é?

   - Nunca mais.


Fim.



 

Uma reforma na pacífica pensão à beira mar e o equinócio de primavera são a combinação perfeita para o passado de nosso personagem vir a tona.

Columba está na Bahia e se quer saber como ele chegou lá siga as vias dos posts relacionados. Na esperança que se divirtam em cada território de "Os Planos".



 

Regras Desafio #51 - O Que se Sente, Mas não Se Enxerga

1 - Escolha um Local. Uma sala, quarto, bar, ambiente público, privado, país, cidade... onde quiser.

2 - Descreva a atmosfera desse lugar. Aquilo que sentimos, que está no subjetivo, nas entrelinhas.

3 - Escreva Um Conto Dramático de no mínimo 1500 caracteres e que tire do leitor uma lágrima ao final do texto


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