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Ooops, Acontece.


Um carro estacionado na rua deserta, com um cachorro ao lado e uma mulher de cabelos longos se aproximando
No correr-corre diário, esquecer faz parte... (Imagem IA/DALL-E-3)

Morava perto do trabalho, ia e voltava a pé na maior parte das vezes. Seu horário era a partir das 17h, turno de seis horas— o que, se não houvesse problema, permitiria estar em casa às 23h, ou antes. Hora em que o movimento nas ruas permitia andar um quarteirão sem muito sobressalto.


O problema era quando havia problemas: o sistema caía, os papéis não fechavam com o movimento dos caixas no dia — ou sumiam —, ou as conferências nas equipes atrasavam. Por vezes era necessário extrapolar o horário — o que significava riscos na volta para casa. Inclusive o de ser seguida por cachorros de rua, atraídos pelo seu medo explícito. Ou o medo de ser assaltada, a um passo de casa. Ou topar com alguém com más intenções. À noite, todos os gatos são pardos. De madrugada, são gatunos...


Por isso, em alguns dias decidia ir de carro até o trabalho. Ainda assim, havia o risco no chegar, abrir o portão, entrar, fechar o portão — que ainda não era eletrônico. Às vezes achava melhor voltar correndo — menos quando encontrava o bando de cães da noite: certamente sairiam atrás, dispostos a morder sua canela.


Era antevéspera de Natal, tinha que levar um prato de salgados para a festinha na empresa. Decidiu ir de carro. Vaga difícil, muito disputada nos dias normais. Por isso também limitava a ida de carro, a vaga disponível às vezes era quase próxima ao seu prédio. Mas, foi.


Noite tranquila, bebidas permitidas. Trabalho feito, madrugada festiva. No dia seguinte, acordou, juntou a bagagem para ir para a casa da mãe, onde passariam a véspera de Natal. A animação foi interrompida quando chegou à sua vaga no prédio. Vazia.


O filho gritou — Roubaram seu carro! — E ela, aflita com a burocracia seguinte, sentou e chorou. Presente de Natal, para variar surpresas desanimadoras, pensou.


Subiu, desanimada. Ligar para a polícia, sem pensar mais na negatividade, afinal, era Natal. Jesus na causa se penalizaria por ela. Carro novo, mal desfrutado. Pelo menos tinha seguro, outra burocracia.


Quando iniciou a conversa com o policial, explicando a ocorrência, algumas perguntas trouxeram lembranças. Onde havia estacionado o carro, se costumava ir ao trabalho... Pimba! O carro ficara no estacionamento, na noite anterior.


Mal agradeceu ao policial gentil — ele devia estar pensando que era maluca ou gagá,até o filho assim a chamava, vez em quando. Desceu correndo as escadas, agora implorando para realmente o carro não ter sido roubado.


Encontrou o veículo exatamente onde o deixara na noite anterior, graças a Deus e a todos os santos invocados naquele início de véspera de Natal. Ufa, teria mais atenção, na próxima vez que fosse com o carro ao trabalho.


Desculpe, foi engano. Sorriu, enfim.






 

Goretti Giaquinto

Desafio # 134 de 365

Tema: Desculpe, Foi Engano

1.      Escreva um texto cômico sobre uma situação de engano. Você confundiu uma pessoa com outra, pegou algo sem querer ou qualquer situação que envolva se confundir e “trocar as bolas”;

2.      Utilize 3 trocadilhos ou piadas ao longo do texto, para trazer mais humor ao texto;

3.      Caracteres Livres.

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1 Comment


Oye Becca
Oye Becca
Jun 05

O final foi ótimo hahaha, depois de um engano desses o que resta é rir mesmo 😂

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