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Inóspito

Tão rude era o lugar que nem passarinho habitava? Talvez fosse eu que não me encontrava...


Vegetação verde, terra vermelha, nenhum morador..

O que acontecera ali? Sabia contar aqueles 120 anos de história sob minhas perspectivas e nada mais. Nada além do que os meus olhos podiam ver, do que a minha pele podia sentir, do que as experiências sensoriais eram capazes de me causar, além do frio na barriga e dos arrepios nos braços e nuca.


Que lugar estranhamente estranho, inquieto, meio aterrorizante.


Eu via os tijolos aparentes na construção em ruínas, as velhas camadas de tinta nas paredes da velha casa, o velho telhado precisando de restauração. Eu estava lá, no meio do caminho, entre a pequena cidade e o vazio, no caminho do posto e no meio do nada.


Já tinha estado num lugar perdido no tempo, com uma linha de trem desativada que não levava mais nada e ninguém a lugar algum, onde o único lugar aberto e em funcionamento era um armazém com balcões em madeira, com estantes com portas de vidro e um baleiro antigo com balas de hortelã, framboesa de uma marca famosa e algumas paçocas dizendo como eu te amava.


Eu ali no meio do nada, na estrada do meio do caminho, no alto da montanha, ouvindo o som dos pássaros e das quedas d'água.



Imagem: acervo pessoal meramente ilustrativa

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