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Experiências..

“Fiz uma cirurgia hoje”, ah minha amiga, se cuida, quer que eu vá até aí para fazer uma jantinha gostosa e cuidar de você. Foi assim que o dia começou pelas conversas de whatsapp.


Mas, não é de cirurgia que eu vou falar nesta postagem e sim de como se enfrenta  uma situação nova, que não se tem controle parcialmente, vou explicar.


Num autoexame percebi uma bolinha e logo pensei no pior. Vivi dois meses de angústia antes de chegar o dia da consulta com o médico que me acompanha a 6 anos.  Tive todo pensamento ruim, revivendo experiências de um passado não tão distante.


Nos dois meses, passei não só as angústias e os medos dos possíveis diagnósticos, mas as experiências terríveis da maldade de um coração peludo em forma de gente até que no meio desse turbilhão de experiências chegava o dia da consulta com a entrega dos exames e a retirada dos papéis da internação, cirurgia e alta.


Bem antes desse dia chegar, eu entrei de férias e fui viajar para ver o mar, porque nele me conecto com o que é mais sagrado e intenso de mim. E, lá tive experiências incríveis e conheci pessoas onde nos conectamos em histórias e superações de mulheres que se curam através dessas conexões entre mulheres que aprenderam a se fortalecer.

No dia da cirurgia aconteceu de tudo um pouco. A guia estava liberada e autorizada, mas não estava impressa. O nome da paciente não estava na lista dos internados do dia. Falei com calma, levando a recepção pensar de forma diferente para tentar resolver o problema, debochando na conversa e até elogiando a sua caneta.


E assim se resolveu fui internada com a cirurgia agendada das 9h para às 13h30 tomei “chá de cadeira”.


Fiquei no sexto andar, onde fui orientada a me preparar, cansada, com fome e sede por conta de estar de jejum desde às 23h do dia seguinte.


Quando o enfermeiro foi me buscar, minha resposta foi “Oba, chegou minha viatura (cadeira de rodas”, fui rindo, brincando mesmo cansada. A equipe de saúde por quem fui atendida diretamente, indiretamente (conversando com as pessoas durante todo o caminho e processo) foi muito educada.  O enfermeiro que estava bravo com a impressora, dizendo que a parte burocrática demorava por causa da lerdeza da máquina e eu disse que meu celular estava  rebelado desde o natal, “eu gostei disso, meu nome é tal, prazer”.


A enfermeira da equipe da noite que viu minha mãe bordando e disse que vai conhecer o até a Pça Benedito Calixto para ver minha mãe.


O enfermeiro Daniel que me tratou com respeito e mais tarde, foi me mostrar as fotos da gatinha linda dele, depois que viu minha tatuagem dos meus felinos no braço.


O Dr. Ricardo que me viu na sala de preparo, foi falar comigo e disse “Você já passou pela parte mais difícil”.


Esta publicação é destinada a todas as mulheres que sofreram feminicídio nesse país tão desigual, machista e patriarcal. Essa história é feita de conexões, risadas, jeitos de ver a vida com mais leveza.  Eu nunca tive coragem de contar a minha história para o mundo, mas agora é chegado o dia, de dois atos de violência, eu sobrevivi, sou resiliente e estou aqui para fortalecer mulheres livres, bruxas, LGBTQIA+. A vida é para ser vivida com alegria, construindo relações saudáveis, com risos e abraços, apresentada, respeitada, aplaudida. A vida é para andar de bibicleta, atravessada entre mares, sobrevoada por ares, escalada e trilhada. Em falar de bike, dois enfermeiros me perguntaram se eu estava mexendo as pernas após voltar da anestesia “rack”, eu respondi: “estou pronta para andar de bicicleta”.


Essa publicação é para você #julietapresente #circodisoladies #mariellepresente  Mulheres Caladas.



Imagem: acervo pessoal


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