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Em resposta à sua Carta...

Updated: May 16


Uma carta tradicional sendo enviada com um céu ao fundo
Uma cartinha de conselhos ... (Imagem IA DALL-E-3)

DE: Goretti Giaquinto

PARA: Gattorno Giaquinto


Desculpe o textão...


Hum ... falar de bloqueio criativo? É algo difícil. Você me colocou numa fria. O que eu teria para lhe dizer?


Vou puxar alguma coisa de minha experiência criativa. Na área que foi meu ganha-pão durante mais de 40 anos: criar. Transformar. Eu gosto da frase do Lavoisier, que diz que “Na natureza nada se cria, tudo se transforma”. Alguns até aprimoram a frase, alterando o seu final: “na natureza, nada se cria, tudo se copia”.


Não acho certo afirmar que tudo se copia, mas acredito que tudo se transforma. A cópia aparece quando, por exemplo, se copia e cola algo, literalmente. Mas eu diria que, para criar, é imprescindível pesquisar o que existe. Se inspirar no que pode gerar um tema — e usar para um assunto específico, depois. Funcionava para mim. Para fazer um projeto de arquitetura, eu tinha uma espécie de checklist: o MEU processo.


No início, eu pedia imagens aos futuros habitantes do espaço; imagens daquilo que lhes chamava a atenção. Nas imagens recebidas, eu observava o que se repetia nelas, o que elas sugeriam. Depois, eu sentava, e punha no papel os dados importantes do terreno, como as medidas, a posição do Sol, insolação, ventilação, as normas e exigências legais.


Fazia croquis — esboços a lápis. Muitos. E passava para o computador. Aí, ia mexendo, mexendo, ajustando as áreas para o limite que era permitido — conforme as normas e os recursos financeiros que os clientes diziam ter disponibilidade. A base era o custo por metro quadrado de construção. Afinal, não iria adiantar projetar algo inviável economicamente. Seria um tiro no pé, no meu pé. Eles iam me xingar e me detonar, como profissional, por ter que parar uma obra por falta de planejamento — essencial para o arquiteto. Para eles, um grande problema na mão: uma obra paralisada e insustentável.


Daí, eu burilava, apresentava versões, conversava, aparava arestas. Só com a aprovação deles partia para os projetos definitivos e para a obra.


Por que eu falei disso tudo? Eu quis comparar esse processo de criação em arquitetura com o da escrita. Nos cursos, aprendemos que a etapa de planejamento é essencial para os escritores. E o bloqueio na escrita é relatado por muitos deles, inclusive os mais famosos. A ideia/inspiração para escrever não vem pronta. Começa sempre com um fio de inspiração. Algo que veio à mente e mexeu. Alguma experiência ou história que merece ser contada. Na medida que um texto “nasce”,  é lido, relido, e vai sendo burilado.


Há uma outra frase que eu também gosto de citar: “Feito é melhor do que perfeito”. Para Capricornianos como você, como eu, essa frase é um sacrilégio. É motivo de anos de terapia. Os capricornianos são perfeccionistas. Disciplinados, buscam sempre o melhor. E o que é o melhor para nós? Eu não sei. Porque queremos ser melhores em tudo, buscando nos superar. Superar desafios, obstáculos. Nos transcender. naquilo de melhor que podemos ser.


Eu não sei o que pode estar lhe bloqueando. Talvez uma tentativa de dar explicações do meu processo seriam meras projeções a partir da minha própria experiência. Porque eu também tenho bloqueios criativos na escrita, assim como tive na arquitetura — enquanto atuava.


O desafio literário de 365 dias tem sido um desafio imenso também para mim. Os temas são muito diversos — e são diários. Quase não tenho tenho tido tempo de escrever, porque, como você, também tenho muitas outras atividades.


Então, como que eu faço? Mantenho um caderno de notas, um físico e outro no celular. Geralmente eu escrevo a mão, primeiro. E depois transcrevo pela opção do “ditado” do Word, ou escrevo diretamente no celular ou PC. Para começar a “burilar”, eu anoto o tema, as condições e escrevo algo que vier à minha mente, naquele momento. Daí eu vou fazer algo da rotina diária. Ou pesquiso algo sobre o tema, leio notícias do dia. Às vezes, assisto um filme, uma série, ou então leio algo. Na medida em que eu vou assistindo e lendo, eu anoto. Tudo pode ser útil, pode ser transformado.


E daí eu penso no que eu gosto de ler, e procuro transformar as ideias seguindo esse meu gosto pessoal. Também tento encaixar toda a teoria que eu tenho aprendido e que estou sempre aprendendo. Eu leio, leio, leio. Releio. Eu me pergunto, nas leituras e no que vejo, o que gostei. Com o que me identifiquei. Forma, conteúdo, tema. O estilo daquele escritor/roteirista/diretor. Se eu chorei ou sorrir, se me identifiquei. E daí eu “copio”, transformando a essência do que eu gostei, no que eu quero escrever. Para deixar do meu jeito.


Outra frase que também procura usar é “Não julgar, não criticar, não comparar”. Você me ouve dizer isso, né? Sim, eu uso isso na minha vida. Vem dos princípios do Reiki, você sabe. Eu uso na vida, na escrita e na arte. Essa frase pode ser traduzida, na escrita, em: Faça o que VOCÊ gosta, do jeito que sabe, do jeito que vai aprendendo.


Eu sou uma aprendiz, como você. Sei que a escrita é uma forma de nos expressar. Tenho muitas dificuldades. Tem muita gente fazendo isso há muito mais tempo do que eu, do que você. Não tenho pretensões de ganhar a vida com a escrita. Se isso acontecer, tudo bem; se não, tudo bem. Eu busco escrever para passar histórias de um jeito que eu leria. Do jeito que alguém vai se identificar.


A teoria da escrita criativa é vasta. Não tenho tempo, nem terei, absorver tudo o que se sabe. E tem gosto para tudo — porque há público para tudo. Lembro que, no início, na Faculdade de Arquitetura, eu apresentei umas propostas de projetos que se diferenciavam do que os professores “acreditavam” como correto, na época. E fui criticada por alguns deles, sem consenso. Em vários projetos eu tive que voltar atrás para obter notas. Para passar de ano, como no colégio. Para isso, eu tive que refazer do jeito que agradasse os professores. E essa recriminação me bloqueou. Eu achei que eu nunca seria arquiteta. Mas eu fui. Hoje, dentro da minha experiência, consigo visualizar que algumas propostas estavam “à frente do tempo”.


Um bloqueio existe a partir do “querer agradar”, ou do “não sou bom o suficiente”.  Ou outras desculpas para nos cercear. Por medo, por comparação, por traumas. Enfim, por algum motivo que nos faz desistir do que gostamos de fazer.


Eu gosto da sua escrita. Gosto da forma leve com que você escreve, procurando passar um lado divertido da sua visão de mundo. E acho que você está indo bem. Um conselho para esse bloqueio temporário? Talvez, olhar de outra forma para os desafios. Fugir dos temas, transformar eles de acordo com o que o que você acredita que faz sentido. Encaixar onde pode passar suas experiências. De uma forma como você gosta de fazer. Ou testar outras formas. Se divertir, tentar formas diferentes para aprender.


Alguém vai se identificar. E não vai ser para “passar de ano”. Não vai ter nota. Faça a transformação dos temas do de acordo com o que você acredita que faz sentido para você. Escreva a mão, escreva no Word ou no WhatsApp. Leia o que escreveu. Releia (se der tempo, com esses desafios “malucos” rsrsrs). Salve as versões. Faça anotações antes de partir para o texto final, se der.


Observe, ao seu redor, o que pode render uma boa história, além das suas próprias experiências— que, eu sei, são muitas. Se inspire em autores que você se identifica. Se aventure em estilos contrários aos seus. Transforme palavras, aproveite o que está no ar, no inconsciente coletivo, pronto para ser pescado. Indiferente ao se vão gostar ou não, se vão criticar, escreva.


Não seja tão autocrítica. Solte o passado nas palavras, se engajei no presente dos acontecimentos. E confie no futuro do que vai ser. O que tiver que ser, vai ser.


Com amor,

Sua irmã na vida e na escrita.



Desbloqueando em 3 ... 2... 1

 

Goretti Giaquinto

Desafios # 127 e # 128 de 365

Tema: Trocando Cartas

Lembra quando a gente mandava carta para as pessoas? Mais um desafio em 2 partes para vocês. Desta vez escreveremos carta para alguém do Clube a sua escolha (ou um personagem fictício). Se liga nas regrinhas.


PARTE 01 (Desafio # 127):

1 - Escolha uma pessoa do Clube OU crie um personagem

2 - Escolha um tema e escreva uma carta para esta pessoa / personagem que contenha informações sobre seu dia-a-dia e um "problema" que não consegue resolver

3 - Caracteres Livres


PARTE 02 ( Desafio # 128):

1 - Agora, responda a carta que recebeu (ou que seu personagem recebeu);

2 - Nesta resposta fale também sobre o seu dia-a-dia e tente ajudar na solução do problema apresentado na carta que recebeu.

3 - Caracteres Livres

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3 commentaires


Bob Wilson
Bob Wilson
13 mai

Que liiiinda essa carta. "Com amor,

Sua irmã na vida e na escrita." Morri aqui kkkk


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Seus conselhos são dignos de um tratado para desbloqueio😉São muitíssimo úteis e com certeza vão ser fonte de inspiração para outros que não estão escrevendo, como eu…

Vou ler e reler e tentar aplicar o que vc escreveu. Agradeço de coração ♥️

Sua irmã e fã de carteirinha😉

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En réponse à

Ficaram uns errinhos porque não consegui reler pra enviar 😊😂😂😂😂

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