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Descrevendo Espaços, por Gabi Souza

O banheiro do Guilherme não é tão bonito assim.

Ele tem algumas falhas, o reboco está aparente pela falta de alguns azulejos e tem mais alguns que estão quase caindo.


A pia é pequena demais para a minha altura, mas isso já é culpa da combinação dos meus pais e não do banheiro, não sei se um dia vou perdoá-los pela altura que me deram.


Meu ponto favorito é o box grande que permite que eu tome banho dançando. Tomar banho nunca foi minha atividade favorita, mas seu chuveiro branco e potente faz com que o tempo lá passe mais devagar. Gosto até de onde posso apoiar meu celular, junto com o shampoo, onde sei que ele não vai conseguir cair.


Gosto do chão também, um tom de azul meio grafite que parece nunca estar sujo (mas não vá andar descalço, porque aí você irá descobrir a sujeira).


A porta marrom não combina com o chão e me pergunto se precisa combinar, nem tudo na vida combina e mesmo assim dá certo, né? Mas ela tem o seu tcham, quanto a porta está fechada e a luz apagada podemos ver a luz da lavanderia e das poucas estrelas de São Paulo pela janela.


Se eu pudesse mudar alguma coisa, colocaria uma janela maior. A atual está com o vidro quebrado e permite que o vento passe, então colocaria uma que também deixasse o vento passar, ela é branca com alguns pontos de ferrugem marrom.


Parando pra pensar, a porta combina com a ferrugem marrom e deixa o banheiro mais simétrico, algo que o falta já que dá para perceber pelo chão que alguém não fez as medidas para construí-lo.


Afinal de contas é um bom banheiro. Não é o mais chique, mas com toda certeza será o mais memorável pelas pessoas que aqui já passaram.



O jardim nunca foi minha parte favorita de uma casa.

O verde das plantas, o amarelo do girassol e outras tantas cores de flores que eu nunca quis saber o nome. Nunca me encantaram.


Até que eu conheci as violetas, são flores pequenas e roxinhas com o centro amarelo, são completamente encantadoras e posso acordar e vê-las da janela do meu quarto.

Por ela, comecei a observar as outras: copo de leite, orquídeas, tulipas. A bromélia foi a minha segunda favorita, seu leque grande e seu tom de vermelho me lembraram muito um por do sol na praia, que são os meus favoritos.


Depois de tanto tempo passado olhando aquela paisagem, comecei a gostar. O verde da grama de tornou a minha cor favorita, o banco amarelo que os idosos sentam, todos os cachorros que eu vejo passando por lá e deixando suas marcas, as luzes amarelas que saem do chão e fazem eu me sentir em um filme de hollywood.


O jardim se tornou a minha parte favorita da casa.





Gabi Souza é integrante do Grupo LGBTQIA+ do projeto É DIA DE ESCREVER.


Segue ela lá no @gabes.z.

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