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Cruzeiro à Vista?

Eu, um chapéu bacana, uma mala de mão é suficiente para esta nova aventura. Embarco na manhã de hoje no porto de Santos, dia de sol e céu azul, parece promissor. Me sinto como se estivesse no elenco de um filme famoso. Assim que piso na rampa de acesso, peço proteção aos Orixás.

Eu e todo aquele pessoal que embarca comigo são recepcionados com festa. Vou caminhando pelo navio procurando minha cabine com varanda com a vista mais linda para o mar; parece um sonho.

Troco de roupa e parto para desbravar o navio, descubro o cassino, inúmeros restaurantes, casa de shows, as piscinas; realmente um condomínio de luxo.

Quero ver se não me perco nessa andança de andares, sento numa espreguiçadeira e fico curtindo um sol. Saio dali, procuro algo vegano para almoçar e descansar na minha cabine. Deitei na cama, jogando os sapatos na distância da porta, meus pés latejam, enquanto me afundo no colchão pensando por alguns segundos que vou descansar por uns 30 minutos até me levantar, tomar um banho e aproveitar a linda noite estrelada e nesse pensamento pego no sono. Começo a sonhar com tempestades, movimentos bruscos do mar como se eu estivesse caindo da cama e de repente eu acordo aos gritos "para motorista". Olho pela janela e não vejo mais aquele sol da manhã e céu azul. Agora o céu tinha dado espaço para o nublado, relâmpagos e uma chuva torrencial. Nem banho, nem roupa elegante, visto minha calça de pijama, camiseta branca, chinelo. Rapidamente fecho a porta da varanda, jogo uma água no rosto e saio da minha cabine ouvindo uma sirene tocar e uma voz avisando que todos os passageiros compareçam no salão principal porque o capitão sumiu.

Parecia brincadeira de mal gosto, mas lá fui eu caminhando no meio da multidão enlouquecida, claro que deixei todo aquele povo passar primeiro antes que passassem por cima de mim. Enquanto eu caminhava em direção ao tal salão, ouvi uns passos atrás de mim, passos mancos que me deu frio na espinha, arrepiando minha nuca e do mesmo lugar de onde vinham os passos, veio a voz "esse povo não me dá paz, eu quero dormir eternamente, mas teimam em me chamar em toda tempestade". Eu nem me atrevi a olhar para trás, continuei andando apertando os passos até chegar no ponto marcado.

As pessoas estavam enlouquecidas dizendo que o capitão estava sumido, que o navio estava à deriva.. Neste exato momento, alguém falou no microfone, "não é nada disso, o capitão está no navio, ele desmaiou desde que desceu no porão e viu a sombra de um tal de Pirata da Perna de Pau". Nessa hora todo mundo caiu na gargalhada, menos eu que sabia que o capitão dizia a verdade antes de desmaiar.

Lá do fundão uma voz rouca gritou "Ah, vamos parar de besteiras pessoal, cadê o capitão para gente acordar dessa tremenda confusão?" Naquele momento as pessoas voltavam para as suas cabines, rindo da piada de mal gosto. Eu me sentei num sofá e fiquei esperando os passageiros esvaziarem o espaço. Fiquei eu e parte da tripulação, em silêncio, mas um olhava para os outros. Eu que não ia voltar para a minha cabine fazendo o mesmo trajeto com um Pirata à solta naquele navio.

Me dirigi até um dos restaurantes, peguei um chá e uma fatia de pizza, sentei próximo a vidraça e fiquei ali admirando a tempestade. Um rapaz da tripulação sentou perto de mim em outra mesa e dali começamos a conversar sobre o ocorrido, ele me relatando que tinha sido o último a ouvir o capitão dizer sobre o que tinha visto. E, eu perguntei se o capitão tinha ouvido alguma coisa diferente do habitual..

Ele perguntou "por que, você ouviu?", "você sabe que ele não está ficando louco?"..

E, num passe de mágica, a chuva parou, o céu voltou a clarear, o capitão aparece como se nada tivesse acontecido, não entendi absolutamente nada.

Me despedi do rapaz e voltei para o corredor sem fim que levava para a minha cabine. No meio do caminho, ouvi aqueles passos de novo e a voz rouca dizendo "tomara que agora me deixem descansar".



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Nem eu voltaria pra cabine sozinha🤣🤣

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