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Comodo do Troninho e Lá da Janela, por Maria Clara Martins

Comodo do Troninho

Dos azulejos estufados até a privada sem tampa, o cômodo do troninho é um ambiente de higiene e reflexão.

A janela enferrujada não se fecha por completo, permitindo sempre a entrada da brisa em todas as estações.

A descarga do troninho, que vive estragando, é de um modelo antigo, daqueles que você tem que puxar uma cordinha igual a do apito do trem (inclusive é igualmente barulhenta).

O ralo por onde escorre toda a água do banho é meio quebrado, permitindo a vista de um cano distante.

Os azulejos são de diversos tons de bege e marrom, e de várias texturas também, provavelmente são os restos de alguma outra construção.

A porta é de madeira, mas não fecha direito, então sempre tenha cautela ao entrar, para que não haja encontros constrangedores.

Dos azulejos estufados até a privada sem tampa, o cômodo do troninho é um ambiente de higiene e reflexão.


Lá da janela

Lá da janela do quarto dos meus pais eu vejo ao fundo a Serra da Mantiqueira, dias azul, dias esverdeada e dias coberta de nuvens.

Em frente à Serra há inúmeras casas da minha cidadezinha do interior, com seus diversos tipos de telhados.

À esquerda, vejo algumas bananeiras que às vezes são local de alimentação e descanso para alguns tucanos.

À minha frente, está o quintal de minha casa, com algumas plantas que só bebem água quando São Pedro resolve mandar chuva.

A vista fica mais bonita no crepúsculo, quando a Serra se enche de sombras roxas e laranjas.

Lá da janela, é essa a vista.



Maria Clara Martins tem 18 anos e integra o Grupo de Negritudes do projeto É DIA DE ESCREVER.


Quer ler mais dos seus textos e conhecê-la mais? segue ela no @perfectclarita

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Puella

2 comentarios


Arrasou demais, sua escrita é linda!!

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Maria Clara Martins
Maria Clara Martins
07 may 2021
Contestando a

Que bom que você gostou, obrigada pela leitura!

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