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Apenas Mais Um Não


Um não saindo de uma boca, como um grito
O não sempre sai com culpa (Imagem DALL-E 3, ajuste Canva)


Para uma criança, um não é o final do seu mundo. Aprendi isso com meu filho, quando ele esperneava diante do não que eu tinha que falar pra ele.

Não, eu não vou lhe dar esse Cavalheiro do Zodíaco!

Não, você não vai usar seu celular hoje!

Não, eu não vou lhe dar dinheiro para você sair com seus amigos!

O não sempre sai com culpa.


Quando viram adultos, o não da infância, sem peso, tem outro valor e outro lado:

Não posso lhe visitar, mãe.

Não, tô ocupado.

Não dá.

Não vou.

Não quero.

O não é devolvido sem culpa.


E a vida da gente (mãe) vira dependente de um não que atropela o sim — que raramente vem.

Quando o ninho esvazia, o sim deveria prevalecer. Nem sempre isso acontece.


Vem outras demandas que transcendem o período profissional, o equilibrar jornadas duplas ou triplas de trabalho sem ter como dizer NÃO. O morrer por dentro com sorriso no rosto e lágrimas na gaveta.


São tantos SIMs a dizer para substituir NÃOs que ficaram entalados, e outros que vão surgindo como barriga de preá.


Acho que os nãos recebidos na infância travam teclas. As do não que não aprendemos a dar. Dizemos não para nós mesmos e pronto.


O não pesa ao sair. Ou sai fácil para o que deveria ser sim.


Reconheço minha dificuldade em dizer não e sim. Não pra o que me faz mal e sim pra o que me faz bem.


Hoje, não consegui dizer não. Mas disse sim pra vida que está acontecendo.


Um dia de cada vez.



 

Goretti Giaquinto

Desafio #88 de 365

Tema: Dia do Não

1.      Atente-se ao seu dia e tudo o que aconteceu ou teria acontecido se você dissesse “Não” para tudo.

2.      Escreva sobre os “NÃOS” do seu dia que você disse (ou queria ter dito) e tudo o que aconteceu e/ou aconteceria com todos os não ditos

3.      Caracteres e formato livre

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