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#9: Daqui Ninguém Me Tira!




Quando criança, sempre vivi em casas espaçosas, pois a família era grande: sete irmãos pequenos, nossos pais e “agregados” – dois a três irmãos de minha mãe. A casa tinha no mínimo quatro quartos, e dividíamos os quartos entre irmãos, para sobrar quartos para nossos tios.


Quando adulta, saí de casa para seguir minha vida, e vivi em um quarto numa república, por quatro anos, até dividir apartamentos pequenos com colegas, para ajudar a pagar as despesas. Mudei de apartamento algumas vezes até conseguir morar sozinha. Anos adiante, mudei para uma casa, pois casei e meu marido queria morar em uma casa, não "numa caixa".


Minha vida deu uma guinada e mudamos de país. Depois de morar em várias casas nesta nova vida, finalmente "aterrisamos" nesta última, que foi paixão à primeira vista. Logo que entrei na casa, amei. A casa dos meus sonhos, com tudo que sonhei quando criança. Não tem cerca de madeira pintada de branco - até porque a violência faz com que todas as casas tenham muro alto e cerca eletrificada.


Cada cantinho desta casa reflete o meu ser, e me dedico a realizar um pouco dos meus sonhos em cada área. Cuido do jardim  plantando flores e árvores, e vejo as sementes darem frutos nas frutíferas plantadas com muito amor. Tenho um estúdio para me dedicar ao que sempre quis fazer: pintar. Tenho uma biblioteca que acomoda todos os livros que já li e pretendo ainda ler.


Muitos amigos acham a casa grande demais para duas pessoas (não temos filhos), mas para quem nasceu e cresceu em casas grandes e sempre dividiu a morada com mais pessoas, sonhar em ter uma casa espaçosa para si é normal, acredito.


Eu amo minha casa. Faço dela o meu lar, num país distante do meu. Várias vezes pensei em voltar ao meu adorado e tão sofrido país, mas quando olho para meu lar e penso que iria desistir do que criei, eu digo a mim mesma: se é para o meu bem e o de minha família, definitivamente eu digo a todos que FICO.

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